Mínimo: Sob risco de traição, governo tenta conter dissidências

Dilma enviou ministros ao Congresso para conter dissidências na votação de amanhã; líder do governo fala em vantagem de 100 votos

Andréia Sadi, Clarissa Oliveira e Danilo Fariello |

A um dia da votação da proposta que reajusta o salário mínimo, o governo reagiu ao aumento das pressões e se lançou em uma campanha de última hora para tentar conter as dissidências dentro e fora da base. Preocupados com o risco de a traição ao projeto do Planalto ser maior do que se espera, governistas passaram o dia todo envolvidos em negociações com aliados e oposicionistas. Vários setores da base deixaram evidente a insatisfação com o reajuste para R$ 545 sugerido pelo governo. Ainda assim, o Planalto investiu no discurso de que terá maioria para a votação marcada para esta quarta-feira.

Coube ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, dar o tom geral encampado pelo governo. Enviado à Comissão Geral da Câmara para defender a proposta do Planalto, o ministro disse que o governo não tem condições, do ponto de vista fiscal, de elevar o valor acima de R$ 545 . Se o mínimo chegasse a R$ 600, disse ele, haveria um impacto de R$ 16,5 bilhões no Orçamento de 2011. "Temos uma limitação de ordem orçamentária", disse o ministro.

Enquanto isso, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) - que reuniu líderes aliados para dimensionar o risco de traição, conforme antecipado pelo iG -  procurou investir no discurso otimista. "Acho que nós teremos uma maioria muito folgada", disse Vaccarezza, em conversa com o iG no fim da manhã. Mais tarde, depois de assistir à movimentação dos partidos da base, a conta do governo era a de obter uma vantagem de 100 votos na votação desta quarta-feira.

AE
Líderes da base se reuniram para quantificar dissidências

Como parte da estratégia, Dilma enviou emissários ao Congresso, para negociar com os partidos da base e da oposição. A prioridade foi reforçar o discurso em favor do reajuste para R$ 545, evidenciar o impacto de um aumento maior nas contas públicas e reiterar a tese de que não serão aceitas divergências à proposta.

O ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio, e o secretário da Fazenda, Nelson Barbosa, também foram recrutados. Participaram, por exemplo, de reuniões das bancadas de partidos como DEM e PSB.

Mais tarde, entretanto, o DEM manteve o discurso em favor da proposta de R$ 560. "Esta Casa saberá reconhecer que o caminho é olhar para a voz das ruas", disse o líder ACM Neto (DEM-BA) , em discurso no plenário. O também oposicionista PSDB seguiu a mesma linha: "O governo está fazendo o sacrifício não na parte que lhe cabe, mas sacrificando o trabalhador e o impedindo de ter o aumento real de uma série histórica de 16 anos, que vem desde 1995, e esse governo da presidente Dilma vai interromper", acusou o líder tucano, deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP).

No PSB, nomes como o deputado Abelardo Camarinha (PSB-SP) dirigiram-se à reunião munidos de estudos indicando fontes alternativas de receita , que em tese ajudariam a bancar o salário mínimo de R$ 560.

As dissidências á tomam forma até mesmo no partido da presidenta Dilma. Ontem, o deputado Eudes Xavier (PT-CE) declarou publicamente que pretende votar contra a proposta do governo , conforme relatou a coluna Poder Online . O PT, entretanto, fechou questão em torno da proposta do governo, o que põe em risco os deputados que votarem por um mínimo maior que R$ 545.

As centrais sindicais ajudaram a aumentar a temperatura com protestos organizados na Câmara nesta  terça-feira . Enquanto isso, o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves, procurava minimizar as divergências, alegando que a atual política de valorização do mínimo, firmada entre as centrais e o governo anterior, elevará por si só o valor para R$ 613 dentro "de alguns meses" .

*Com informações de Flávia D'Angelo, iG São Paulo, e da Agência Estado

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG