Minha missão é manter aliança entre PT e PSDB em Belo Horizonte

Walfrido dos Mares Guia, presidente do PSB de Minas e ex-ministro do governo Lula, afirma que não há motivo para rompimento

Denise Motta, iG Minas Gerais |

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Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro do governo Lula e atual presidente do PSB de Minas Gerais
Recém-eleito presidente do PSB de Minas Gerais, o ex-ministro de Relações Institucionais e do Turismo durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Walfrido dos Mares Guia, comanda a política de alianças do atual prefeito Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), visando as eleições de 2012.

Em entrevista ao iG , ele defende a reedição da aliança entre o seu partido, o PT e o PSDB que elegeu Lacerda em 2008. Ele foi apoiado durante as eleições pelo então prefeito da capital mineira e atual ministro do governo de Dilma Rousseff, Fernando Pimentel (PT), e o então governador e atual senador, Aécio Neves (PSDB). O problema é que há resistências à reedição da "união instável" nos dois partidos.

“O nosso trabalho é manter a aliança do PT com o PSDB. Então a mensagem que eu quero passar é que estamos trabalhando pela aliança, que é boa para o Brasil, inclusive”, diz Walfrido. Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

iG - Petistas e tucanos dizem que, nas eleições em BH, o senhor está seguindo as orientações do ex-presidente Lula, para reeditar a aliança entre PSB, PSDB e PT. Isso é verdade?

Walfrido dos Mares Guia - As pessoas podem, em princípio, pensar isso, mas não é isso o correto. A aliança que a prefeitura tem é com o PSDB e com o PT. Queremos manter isso.

Com o PT é formal, tanto é que o vice-prefeito, Roberto Carvalho, foi eleito vice-prefeito com o Marcio Lacerda, prefeito de Belo Horizonte, em aliança formal. O PSDB não fez aliança formal, fez aliança informal, mas na política vale o compromisso, não vale só o papel. O papel é só para formalizar o que foi entendido.

Na medida que o PSDB não teve candidato, ele apoiou explicitamente o Marcio Lacerda, todas suas lideranças, sobretudo o ex-governador Aécio Neves, ele esteve na campanha o tempo todo. Foi um momento feliz em Belo Horizonte, que os dois maiores partidos, ao não apresentarem candidatos próprios, combinaram de apresentar um excelente nome que é o do Marcio Lacerda, que está se revelando um extraordinário prefeito. Nós estamos trabalhando é pela reedição da aliança, tanto com o PT como com o PSDB.

O PSB está muito bem aquinhoado do lado do governador Anastasia, o PSDB está bem aquinhoado na prefeitura. O PT está bem aquinhoado na prefeitura, que além de ter a vice tem secretarias e, inclusive, a maioria dos cargos em comissão”

iG - Mas o senhor foi ministro de Lula.

Walfrido dos Mares Guia - O fato de eu ter sido ministro do Lula não significa que o PT vai ter um privilégio. Porque o nosso partido, o PSB, apoiou o governo do Aécio e apoia o governo do Anastasia.

O Marcio trabalhou pelo Anastasia direto e reto, todos viram, tem dois secretários importantes no governo Anastasia, o ex-presidente do partido, Wander Borges, que é o secretário de Desenvolvimento Social e a ex-reitora da UFMG, Ana Lúcia Gazzola, que é secretária de Educação. E tem ainda outros cargos na estrutura. Então o PSB está muito bem aquinhoado do lado do governador Anastasia, o PSDB está bem aquinhoado na prefeitura. O PT está bem aquinhoado na prefeitura, que além de ter a vice tem secretarias e, inclusive, a maioria dos cargos em comissão.

Então nós estamos trabalhando para reeditar esta junção do PT com o PSDB, junto conosco, o PSB, para o bem de Belo Horizonte. A população está apoiando o governo do Marcio. Qualquer pesquisa que se faça, ele tem entre ótimo, bom, regular, positivo, que é o que se chama de aprovação, mais de 70%. Ele está com uma equipe competente, com gente do PT, do PSDB, do PSB, do PCdoB, vários partidos. Então, está dando certo, tudo indica que devemos reeditar. E não vamos dar privilégios para um ou para outro.

iG - E a vaga de vice-prefeito?

Walfrido dos Mares Guia - Aí é que está. O problema deles não é o nosso. Nós queremos mantê-los. O espaço que cada um quer ter, vamos negociar até o processo eleitoral, mas é daqui um ano. Dia 5 de julho do ano que vem é que começa oficialmente a campanha, quando a pessoa pode dizer "sou candidato, tome um santinho".

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Aécio Neves, Antonio Anastasia e Marcio Lacerda, durante as eleições de 2010
iG - Há possibilidade de algum dos partidos apoiar informalmente de novo, como o PSDB fez em 2008?

Walfrido dos Mares Guia - Não sei. Uma coisa é a Executiva dizer eu não coligo, meu partido não coliga com o partido A. Isso é uma coisa. Agora, nenhum partido em sã consciência pode supor que ele possa dizer a outro partido assim, "se você receber o apoio de A, não vai receber o meu". Isso não fica nem bonito do ponto de vista democrático.

Eu estou conversando com os dois lados o tempo todo. Aliás, eu tive a sorte de ser amigo pessoal das pessoas que estão representando os dois partidos, tanto o Marcos Pestana, que foi meu secretário adjunto durante quatro anos, quando eu fui secretário de Planejamento do Azeredo (Eduardo, ex-governador de Minas) quanto o Reginaldo Lopes, que foi meu companheiro no Congresso Nacional, meu amigo, com quem eu me dou muito bem, não tenho dificuldade nenhuma em conversar com ele.

Se precisar conversar com a "prateleira" mais alta, com Pimentel (Fernando, ex-prefeito de Belo Horizonte e ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Aécio (Neves, senador), Anastasia (Antonio, governador de Minas), também não tem problema.

iG - E a resistência do PT ? Tem uma ala radicalmente contra a aliança com o PSDB e a favor da candidatura própria.

Walfrido dos Mares Guia - Qual partido grande não quer ter um candidato próprio? O nosso partido, que é pequenininho em Minas Gerais, só tem 13 prefeitos, nós temos uma meta que foi publicada no nosso planejamento estratégico de eleger 50 prefeitos. Mas, para eleger 50, temos que tomar 37 de alguém. Todo mundo quer eleger cargos majoritários. Isso é importante porque o partido almeja o poder para poder expressar tudo aquilo que ele professa.

Agora, você tem que avaliar entre ter candidato próprio para enfrentar um candidato que você apoia, que você participa do governo, correndo o risco de perder, no momento em que este candidato é altamente bem avaliado.

O nosso trabalho é manter a aliança do PT com o PSDB. Então a mensagem que eu quero passar é que estamos trabalhando pela aliança, que é boa para o Brasil, inclusive”

iG - Pode haver negociação entre o PT Nacional e o PSB Nacional?

Walfrido dos Mares Guia - Não. Vai ser tudo aqui. Não há razão, nós não temos conflito aqui no Estado. A situação hoje é diferente de 2008 porque ele é candidato de qualquer maneira

iG - Lacerda está sendo preparado para se lançar ao governo de Minas em 2014?

Walfrido dos Mares Guia - Nem pensar. Não  terminou o mandato dele de prefeito. A eleição de prefeito não tem nada a ver com a eleição de governador. Nada. Zero. O que vai acontecer em 2014? Nem com bola de cristal.

iG - Mas ele é o único nome do PSB forte em Minas .

Walfrido dos Mares Guia - Sim, mas, se ele ganhar em 2012, ele tem mais quatro anos de mandato, até 2016.

iG - Ou não. Ele pode sair antes, fazer um acordo no ano que vem para deixar a prefeitura para o vice.

Walfrido dos Mares Guia - Mas aí tem que tudo dar certo para ele e dar tudo errado para todo mundo. A gente ouve dizer que o Fernando Pimentel é candidato, que o PSDB pode ter candidato. Se o Aécio Neves eventualmente não for candidato à Presidência da República, será que ele volta? Se você for colocar opções na coluna um, na coluna dois, coluna três, quando você começa a cruzar, tem que elevar a potência. Se o Aécio for candidato à Presidência da República, o que vai acontecer com o candidato dele em Minas? É tanta coisa, não dá para fazer conjectura saudável. 2012 não vai encaminhar 2014. Nunca encaminhou e nunca foi assim.

iG - Então o PSDB e o PT podem ficar tranquilos quanto às pretensões estaduais do PSB?

Walfrido dos Mares Guia - O nosso trabalho é manter a aliança do PT com o PSDB. Então a mensagem que eu quero passar é que estamos trabalhando pela aliança, que é boa para o Brasil, inclusive. Na medida em que PT e PSDB têm bons quadros e se entendem ao longo do tempo, com pessoas do bem, que tem dos dois lados, isso é bom para o País também. Esse negócio de ficar um pra cá e outro pra lá é porque tem muita briga em São Paulo. Lá tem briga. Aqui, não. Tanto é que o Fernando Pimentel deu as mãos para o Aécio e os dois saíram juntos para eleger uma pessoa de outro partido. Isso é um sinal bonito dos tempos.

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