Minas tem reflexo invertido da eleição nacional

Perfis de Dilma e Anastasia, pré-candidato do PSDB no Estado, e disputas internas nos partidos tornam cenários semelhantes

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A eleição para o governo de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do País com 16 milhões de eleitores, é uma espécie de reflexo invertido e em escala reduzida da disputa nacional. Um dos motivos é a semelhança entre os perfis de Dilma Rousseff e Antonio Anastasia, pré-candidato do PSDB ao governo. Outro é o fato de tanto o PT em nível estadual quanto o PSDB na esfera nacional terem enfrentado disputas internas na escolha de seus nomes.

“A situação em Minas é exatamente igual à nacional. Por isso digo que o discurso dos tucanos de que a Dilma não tem preparo porque nunca disputou uma eleição é um tiro no pé. Por que o Anastasia pode e a Dilma não pode? Na verdade, os dois podem”, disse o ex-secretário nacional de Direitos Humanos Nilmário Miranda, uma das principais lideranças do PT mineiro.

Para o deputado Nárcio Rodrigues, presidente do PSDB mineiro, as semelhanças entre Dilma e Anastasia só vão até o perfil técnico de ambos pois ao contrário da ex-ministra, que cuidava exclusivamente de tarefas administrativas, o governador em exercício está acostumado a se relacionar com a Assembléia Legislativa e outras lideranças políticas.

"A diferença básica entre eles é que o governador Anastasia não é apenas um técnico. Ele se revelou uma pessoa de grande habilidade política. Foi testado nas urnas como candidato a vice de Aécio, participou de negociações políticas. Ele tem experiência em articular acordos, ao contrário da Dilma que nunca fez uma costura política", disse o deputado.

Mas tanto Dilma como Anastasia têm perfil técnico. Dilma foi a coordenadora do governo Luiz Inácio Lula da Silva a partir de 2005. Anastasia assumiu como vice no mesmo ano e coordenou os principais programas do governo Aécio Neves. Embora tenham experiência administrativa e longa militância nos bastidores políticos, nem Dilma nem Anastasia disputaram uma eleição sequer. Os dois entraram nos respectivos governos em cargos menores e galgaram espaço político por meio da competência administrativa, deixando para trás velhas raposas da política.

Tanto Dilma quanto Anastasia representam hoje a continuidade de projetos bem sucedidos e com enorme aprovação popular. Segundo pesquisa do Vox Populi de janeiro, 75% dos mineiros consideram Aécio bom ou ótimo. Lula tem avaliação positiva de 74% em Minas Gerais. Apesar disso, seus candidatos estão em segundo lugar nas pesquisas, atrás de políticos experientes em eleições. Ainda segundo o Vox Populi, Dilma tem 26% contra 38% de José Serra em Minas Gerais. Já Anastasia tem 15% contra 34% do ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT), ou 18% contra 41% do ex-ministro das Comunicações, Helio Costa (PMDB).

O perfil dos adversários de Dilma e Anastasia é outra semelhança entre a disputa mineira e a nacional. Tanto Serra quanto Pimentel e Costa são políticos experimentados e participaram de diversas eleições.

Sem contar que tanto Serra quanto Pimentel ou Costa enfrentaram desgastantes disputas internas . O ex-governador de São Paulo teve que superar o mineiro Aécio. Já o caminho de Pimentel e Costa é mais longo. O petista venceu o ex-ministro do Desenvolvimento Social Patrus Ananias em prévias realizadas no último domingo. A partir de agora terá que enfrentar Costa, líder absoluto nas pesquisas, e a pressão do PMDB nacional para encabeçar a chapa em Minas Gerais.

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