Meta de Serra é perder por pouco na Bahia

Candidato visita Alagoinhas e Feira de Santana nesta terça. Com histórico favorável ao PT, tucanos querem evitar vexame de 2006

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Pela segunda vez nesta pré-campanha à Presidência da República, José Serra (PSDB) vai à Bahia, onde os tucanos somaram derrotas vergonhosas nas duas últimas eleições. Por isso, em 2010, a meta estabelecida pelo PSDB é perder por pouco no Estado: precisamente por 700 mil votos a menos que Dilma Rousseff, a candidata do PT.

Nesta terça-feira, o tucano vai aos municípios de Alagoinhas e Feira de Santana, que fica a 107 km de Salvador. No último dia 14, Serra esteve na capital baiana onde visitou o túmulo de Irmã Dulce e passeou pelo mercado modelo da cidade. 

Lideranças do PSDB e do DEM na Bahia afirmam que Dilma aparece na frente em pesquisas eleitorais. Segundo o iG apurou, a vantagem da petista sobre Serra varia entre 6 e 10 pontos percentuais. Os tucanos, no entanto, comemoram o fato de ela ainda não ter conseguido absorver os índices do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Lula sempre foi forte na Bahia, mas a Dilma é a Dilma. Ela não é o Lula”, afirmou o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA). “O Lula ainda não conseguiu transferir seus votos para a Dilma. Eu não acredito que isso irá acontecer. Por isso, acho que o Serra pode surpreender na Bahia”, completou o deputado João Almeida (PSDB-BA).

Como candidato, Lula sempre teve votações expressivas na Bahia. Mesmo quando foi derrotado no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso em 1994 e 1998, o atual presidente obteve, respectivamente, 35,20 e 35,34% dos votos válidos. Nas duas últimas vitórias, a vantagem de Lula sobre os tucanos foi primeiro ampliada e depois dobrada.

Em 2002, Serra teve muita dificuldade para ser o segundo mais votado na Bahia no primeiro turno. O tucano conquistou apenas 16,8% contra 14%, de Ciro Gomes (então no PPS), e 13,4%, de Anthony Garotinho (então no PSB). No segundo turno, Lula bateu por 65,6% a 34,3% de Serra.

Naquela oportunidade, o PSDB não tinha o apoio do DEM. Partido comandado na Bahia pelo então senador Antonio Carlos Magalhães (morto em 2007), o ex-PFL apoiou Ciro Gomes no primeiro turno. “Eu fiquei com o Serra”, contou Aleluia. No segundo turno de 2002, ACM orientou seus eleitores a votar em Lula.

Em 2006, a votação do presidente dobrou sobre o candidato do PSDB na oportunidade. Lula superou o tucano Geraldo Alckmin no primeiro turno por uma diferença de 40 pontos percentuais. O petista teve 66% dos válidos contra 26% do candidato do PSDB. No segundo turno, outro vexame tucano: 78,1% a 21,9% para Lula.

Coligação demo-tucana

Além de Lula ser o candidato na época, o PSDB e o DEM avaliam hoje que a derrota vergonhoso ocorreu porque os dois partidos não estamos unidos na época. Isso facilitou, inclusive, a vitória no primeiro turno de Jaques Wagner (PT) sobre o favorito Paulo Souto (DEM) na disputa pelo governo do Estado.

Em 2006, ACM ainda estava vivo e era adversário político do PSDB baiano, principalmente do deputado tucano Jutahy Magalhães Júnior (BA). Um dos congressistas mais próximos de Serra, Jutahy afirma que a parceria do PSDB e do DEM na Bahia irá funcionar. “Nossa aliança é forte”, disse o tucano.

O candidato ao governo da coligação será Paulo Souto, que foi governador por duas vezes (1995-1998 e 2003-2006). Para o Senado, um vaga já está reservada para o ex-prefeito de Feira de Santana, José Ronaldo (DEM). A outra tem três pretendentes: o deputado José Carlos Aleluia, o ex-prefeito de Salvador Antonio Imbassay (PSDB e o atual senador ACM Jr. (DEM)

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