Mercadante: 'Se Quércia estivesse vivo, isso não parava em pé'

Ministro vai ao Senado para rebater reportagens sobre aloprados e destaca que não há fato novo no caso

Fred Raposo, iG Brasília |

Apoiado em parecer do Ministério Público e do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, rebateu esta terça-feira a versão de que estaria por trás do esquema que resultou no escândalo dos aloprados, em 2006. Dizendo não haver nenhum "fato novo" sobre o caso, o ministro negou ter qualquer responsabilidade na tentativa de compra de um dossiê que serviria para prejudicar o tucano José Serra, seu rival na disputa pelo governo paulista na eleição daquele ano. 

Ao se defender, o ministro rejeitou a tese de que o esquema teria contado com a participação do ex-governador Orestes Quércia, que morreu no ano passado. Segundo a revista Veja , a compra do dossiê teria sido financiada por dinheiro de caixa dois da campanha do petista, além de recursos de Quércia, que na época era candidato ao governo paulista pelo PMDB . "Se o Quércia estivesse vivo, isso não pararia de pé", disse Mercadante.

AE
Senador destacou que foi espontaneamente ao Senado para falar sobre o caso
“Por que não jogaram essas acusações na última campanha eleitoral? Porque o Quércia era aliado do PSDB”, disse Mercadante. “Essa acusação tem uma única razão, só tem eu para dizer que não falei com Quércia. Nunca tivemos qualquer relação. Qualquer companheiro dele ou da minha campanha sabe disso”, completou.

As declarações de Mercadante foram dadas na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Durante os 46 minutos iniciais da sessão, o ministro fez um balanço do crescimento do Brasil no último século, na exposição chamada “Economia e competitividade: a importância da inovação”.

Mercadante decidiu falar ao Senado após duas reportagens da revista Veja . A primeira versou sobre uma conversa em que um dos envolvidos, o ex-diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso, teria apontado Mercadante como mandante da tentativa de compra do dossiê em uma conversa com colegas de partido. A segunda reportagem, divulgada no último fim de semana, relatou uma reunião em que supostamente o assunto teria sido debatido. Na conversa, segundo a revista, estavam presentes envolvidos no caso e a atual ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti. Desde que as notícias foram veiculadas, a oposição pediu a reabertura do inquérito sobre o caso. Mercadante e Ideli, por sua vez, empenharam-se em negar qualquer envolvimento .

Aos senadores, Mercadante empenhou-se também em negar que o petista Hamilton Lacerda, suspeito de ter transportado o dinheiro para a compra do dossiê, tenha agido com seu consentimento. Hamilton, na época, foi apontado como um dos elementos que aproximaram Mercadante do escândalo. Coordenador de Comunicação da campanha do petista, Hamilton participava ativamente do processo eleitoral e aparecia frequentemente em agendas na companhia do senador. "Ele sempre disse que eu não tinha conhecimento", disse Mercadante.

Durante o depoimento, Mercadante leu trechos de um parecer do ex-procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza, que o isenta de responsabilidade no caso. O relatório recomendava ao Supremo Tribunal Federal (STF) a anulação do indiciamento pela Polícia Federal e o arquivamento das acusações contra ele. “Todos os fatos arrolados estão no inquérito”, assinalou o ministro. “Não há elemento nos autos que aponte relação minha com os demais envolvidos no escândalo.” Mercadante também classificou como “inaceitável” a citação da ministra Ideli no caso.

O senador do PSDB, Alvaro Dias (PR), afirmou considerar, no entanto, que o caso agora ganhou uma "prova testemunhal” com a conversa de Expedito Veloso relatada pela revista. O tucano defendeu a reabertura do inquérito e disse que apresentará requerimentos para ouvir Veloso, a ministra Ideli e a ex-senadora Serys Slhessarenko (MT). Serys, que segundo a revista teria participado da conversa com Veloso, disse ao jornal Folha de S.Paulo ter sido informada pelo ex-diretor do BB sobre a montagem de dossiês durante a campanha eleitoral de 2006.

*Com iG São Paulo

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