Mensalão vira tema paralelo em aniversário do PT

Encontro para discutir processo que corre no STF foi articulado sem alarde pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu

Clarissa Oliveira, enviada a Brasília |

Em meio a discussões sobre o salário mínimo, o governo Dilma Rousseff e o aniversário de 31 anos do PT, setores do partido reuniram-se sem alarde nesta quinta-feira para discutir o processo que corre no Supremo Tribunal Federal sobre o mensalão. A reunião, segundo o iG apurou, foi convocada pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, apontado pela Procuradoria-Geral da República como "o chefe da quadrilha" que comandou o suposto esquema de pagamento de mesada a parlamentares.

A reunião ocorreu no fim da tarde desta quinta-feira, quando boa parte da direção partidária já havia deixado a sede do PT em Brasília, rumo ao Teatro dos Bancários, local da festa organizada para reconduzir o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência de honra da sigla. Um grupo menor – mas ainda assim bastante numeroso – ficou para trás para atender à convocação.

O ex-ministro, entretanto, falou pouco durante o encontro, segundo relato feito por um petista ao iG . Dirceu apenas agradeceu o apoio que sempre recebeu dos colegas nos esforços que conduz para recuperar seus direitos políticos, perdidos com a cassação de seu mandato parlamentar em 2005.

Coube aos demais participantes se estender sobre o assunto. Boa parte das manifestações foram em favor de que o partido assuma a tarefa de defender os dirigentes que se tornaram réus no processo que corre no STF.

Ainda assim, nem todos os envolvidos na crise de 2005 estavam presentes. Nomes como o ex-presidente do partido José Genoino, que comandava o PT na época em que o escândalo veio à tona, preferiram seguir para a festa no Teatro dos Bancários.

Embora alguns poucos petistas digam ver a possibilidade de o julgamento do mensalão sofrer um novo adiamento, a avaliação que predomina é a de que o caso será mesmo encerrado ainda neste ano. É praticamente unânime dentro do partido o discurso de que Dirceu tende a se livrar das acusações.

"O caso dele é aparentemente um dos mais simples, pois não há provas concretas", disse um participante da reunião.

Resoluções

As conversas ocorreram no mesmo dia em que o PT empenhou-se em abrandar o discurso em relação à administração da presidenta Dilma Rousseff, para evitar qualquer tipo de tensão em relação ao novo governo. Em sua primeira reunião desde que Dilma tomou posse, os 81 membros do Diretório Nacional optaram por divulgar uma resolução amena.

A sigla cumpriu, por exemplo, a expectativa de manifestar apoio à política do governo para o salário mínimo, mas sem entrar em detalhes. Sem citar um valor ideal para o salário, o texto dizia que são "inegáveis as conquistas da classe trabalhadora durante os oito anos do governo Lula, sendo uma das principais o estabelecimento de uma política de valorização do salário mínimo".

"O governo já manifestou sua determinação em prosseguir com essa política", completa o texto.

Já a resolução política do encontro exaltou o governo Lula e pregou a sua continuidade na nova administração. "O governo Dilma é a expressão do nosso projeto de construção de um país justo", afirma o documento.

    Leia tudo sobre: Lulaaniversário do PTmensalãoJosé Dirceu

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG