Mendes Ribeiro: Dilma mandou 'trabalhar, trabalhar'

Nomeado nesta sexta-feira, novo líder do governo no Congresso diz não ver 'problemas à frente'

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Em entrevista no Palácio do Planalto realizada logo após ter seu nome indicado para a liderança do governo no Congresso, o deputado federal Mendes Ribeiro Filho (PMDB-RS) disse que a presidenta Dilma Rousseff lhe pediu para "trabalhar, trabalhar, trabalhar; ouvir, ouvir, ouvir". O novo líder, que almoçou com Dilma no Palácio da Alvorada, disse que buscará o diálogo e argumentou que esse instrumento faz com que o trabalho apresente resultados.

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Escolha do novo líder do governo no Congresso foi formalizada nesta sexta-feira
"A presidente me pediu muito trabalho, muito diálogo e paciência", disse o parlamentar gaúcho, acrescentando que há muitos desafios pela frente, mas argumentando que "às vezes, o clima não é tanto de tensão quanto dizem ser". "O que passou, passou. Não vejo problema à frente", declarou. Mendes Ribeiro Filho ressaltou que a articulação política é um trabalho de equipe e que ele está entrando em um time já formado. "Serei o 12º jogador", considerou.

Questionado se tinha preocupação com a base, uma vez que a presidente teria recuado ao atender os parlamentares na questão da prorrogação do prazo das emendas, o novo líder afirmou que Dilma não cedeu. "Ela decidiu quando tinha de decidir", afirmou. Mendes Ribeiro Filho disse que Dilma já o convocou para uma reunião de coordenação de governo, marcada para o final da tarde da próxima segunda-feira, 4.

O novo líder do governo no Congresso ressaltou que é preciso ter paciência "para ouvir muito e desarmar os espíritos". Ele disse que tem de "mostrar que 'um não' não quer dizer exatamente 'não', mas a impossibilidade de dizer um sim. Não existe obra individual, mas obra de todos. E a gente desarma o inimigo estendendo a mão". Mendes Ribeiro comentou que "muitos preferem as bofetadas a estender a mão" e que "hoje existe uma volúpia, uma ânsia de querer, que muitas vezes consideram o 'não' que receberam como um desgosto, um desafeto ou uma posição em favor de outro".

Saúde

"É preciso que a gente se entenda", defendeu. Questionado se estava se referindo à própria base aliada, ele respondeu: "Estou me referindo ao mundo real, de todo mundo. Do jornalismo também, do dia a dia". Ele criticou a emenda 29, dizendo que não gosta dela, e justificou que a medida não aponta a fonte dos recursos para os novos gastos na saúde previstos. "A emenda 29 é muito ruim. É preciso ver se, na ponta, a Saúde vai melhorar", criticou. Perguntado se a emenda provocaria uma situação de "faz-de-conta", ele respondeu: "Não é isso que dizem de muitas leis? É preciso fazer com que as leis que existem possam ser colocadas em prática", ponderou.

Em relação à liberação dos recursos das emendas de parlamentares, ele disse que o desafio, a partir de agora, "é olhar para frente". Anunciou que iniciará um diálogo com os líderes, com a coordenação das bancadas, que também irá ouvir os pleitos dos Estados e conversará com a Confederação Nacional dos Municípios. "É difícil a unanimidade, mas é possível buscar um acordo. Na época da Constituinte, se falava em buraco negro. Se foi possível obter um acordo quando o Brasil não falava, por que não agora?", incitou.

Mendes Ribeiro disse que a sua nomeação se deve à presidenta da República, mas lembrou também de seu partido, dos anos de trabalho no Congresso e de sua relação com a oposição. "A presidenta Dilma me conhece há 30 anos. Tenho uma vida política no Rio Grande do Sul desde menino. Minha característica é ouvir e trabalhar com espírito público. Com isso, não tem como dar errado. Se der errado, paciência. Se algo der errado, a culpa não é dela. É minha",afirmou.

O deputado gaúcho ironizou ao ser lembrado que disputou o posto de líder do governo com outros dois nomes do PT. "São especulações naturais, eu não sei. Deveriam existir concorrentes, mas eu não sou tão ruim", disse. Ele afirmou, também, que não acredita na hipótese de que possa sofrer rejeição por causa dessa disputa. "Quando se encontra rejeição, ela parte da gente mesmo. É porque tu não tens confiança no trabalho que vai desenvolver", comentou.

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