Marta já recorre até a líderes de bairro por vaga em 2012

Senadora se lançou em série de reuniões e contatos por espaço no processo que definirá candidato à Prefeitura de São Paulo

Ricardo Galhardo e Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

A senadora Marta Suplicy está em plena campanha pela vaga petista na disputa para Prefeitura de São Paulo em 2012. Nas últimas semanas, Marta fez uma série de reuniões e contatos, inclusive com a base do PT e partidos aliados, com o objetivo de romper o atual isolamento e viabilizar sua volta à prefeitura, posto que ocupou entre 2001 e 2004.

Segundo dirigentes petistas, Marta tem telefonado diretamente até para lideranças de bairro. “Ela mesma telefona e anuncia: aqui é Marta Suplicy. Não diz nem ‘senadora’”, disse uma fonte do partido. Nas conversas ela pede apoio, lembra dos avanços de sua gestão, e oferece acordos políticos.

Claudio Augusto
Marta vem buscando apoio na base e tem telefonado até mesmo para líderes de bairro

Na avaliação de líderes do partido em São Paulo, Marta não tem condições políticas de disputar uma prévia. Nos últimos anos, ela se afastou do grupo que a apoiava desde a disputa pela prefeitura, em 2000, chagando a romper relações com alguns de seus antigos colaboradores.

O trunfo de Marta é o bom desempenho nas pesquisas de opinião e o ponto fraco é a rejeição. De acordo com integrantes da direção partidária, o diretório estadual do PT encomendou ao cientista político Gustavo Venturi, da Fundação Perseu Abramo, uma série de sondagens nas principais cidades paulistas, entre elas a capital.  Venturi nega que esteja realizando os levantamentos. "Não fui contatado pelo diretório nem qualquer instância do partido", diz . A fundação nega que preste  serviços de pesquisas para partidos, pois a prática seria irregular.

Dirigentes petistas afirmam que Marta trabalha com a hipótese de que o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, não vai se arriscar a deixar o ministério para entrar em uma disputa que pode ter como adversário o ex-governador José Serra (PSDB). Depois de quase chegar ao segundo turno na eleição para o governo paulista em 2010, Mercadante tem manifestado a aliados que cogita guardar as fichas para repetir a empreitada em 2014.

Mercadante é apontado como candidato natural à prefeitura caso se disponha a entrar na disputa. Até agora o ministro não se manifestou sobre o assunto, mas ouviu do comando partidário um pedido para que se decida no máximo até o meio do ano.

Outro nome forte para ocupar a vaga petista na eleição para a Prefeitura de São Paulo é o ministro da Educação, Fernando Haddad. Com a simpatia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , ele ampliou a agenda na capital paulista nas últimas semanas e passou a investir em conversas com líderes partidários. Haddad reuniu-se com a bancada estadual do PT no mês passado. O ministro, entretanto, custa a obter apoio dentro do PT e, segundo os críticos, não demonstra a tenacidade de Marta, nem o potencial de votos de Mercadante.

Chapa

Marta já começou até a idealizar a chapa que gostaria de encabeçar. Na última semana, por exemplo, a petista organizou um jantar em Brasília e convidou peemedebistas de São Paulo. Além de reforçar que é candidata em 2012, disse que gostaria de poder repetir a chapa nacional, com o PMDB na vice. Marta não citou nomes.

No mês passado, entretanto, a ex-prefeita reuniu-se com o deputado Gabriel Chalita, que está prestes a trocar o PSB pelo PMDB para disputar a prefeitura paulistana e é visto como o vice dos sonhos do PT. No encontro, relatado por aliados do deputado, Marta teria tentado convencer Chalita a ser o vice em sua chapa. Em resposta, ouviu que não há chances de ele abrir mão de concorrer e que sua migração para o PMDB ocorre com a garantia de que poderá se lançar candidato.

Um dos acenos de Marta na direção de Chalita foi relatado ao iG pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO). Segundo o peemedebista, a conversa ocorreu durante um vôo para Brasília. “Você sabe quel é o meu sonho, né Chalita?”, disse a senadora. “É o mesmo que o meu, Marta”, respondeu o deputado. Segundo Raupp, ambos se referiam ao desejo de ter o outro como vice.

Assim como a ex-prefeita, Haddad também se sentou com Chalita para tratar da eleição . O assunto foi o tema principal de um almoço entre os dois, ocorrido ontem, em Brasília. 

Estratégia

Setores do PT contrários à candidatura de Marta defendem a candidatura de Chalita. O raciocínio é que o deputado, ex-secretário de Educação no governo do tucano Geraldo Alckmin, com bom trânsito na Igreja Católica e na classe média, deve tirar votos dos adversários e empurrar a disputa para o segundo turno.

Nesse grupo, predomina a tese de que deve haver um pré-acordo com Chalita para um eventual segundo turno. Marta foi procurada na quarta-feira para comentar o assunto mas não respondeu. Segundo sua assessoria, ela não manifestou publicamente o desejo de ser candidata. Em entrevista à coluna Poder Online , no mês passado, a ex-prefeita reconheceu que já avalia a possibilidade de se lançar.

Segundo o vereador Antonio Donato, presidente do PT de São Paulo, o partido vai definir o nome no segundo semestre desta ano e a senadora é uma alternativa. “É claro que a Marta tem todas as qualificações para ser a candidata”, disse Donato.

*Com colaboração de Andréia Sadi, iG Brasília, e Nara Alves, iG São Paulo

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