Marta diz que desistiu de 2012 para preservar unidade do PT

Sem declarar apoio a Haddad, senadora disse que seu gênio 'combativo' contribuiria para um racha na base do partido

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

Ao anunciar nesta quinta-feira sua desistência de disputar a Prefeitura de São Paulo no ano que vem, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) disse ter optado por evitar um racha e preservar a unidade do partido. Sem declarar apoio ao ministro da Educação, Fernando Haddad, Marta atendeu ao apelo que recebeu da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que se retirasse da disputa interna pela cabeça de chapa na corrida municipal.

Entenda o caso:
- Marta comunica ao PT que está fora da disputa pela Prefeitura de SP
- Tratamento de Lula faz Dilma pedir saída de Marta da disputa por 2012

"Eu queria muito voltar a ser prefeita desta cidade, mas diante do apelo da presidenta Dilma e do ex-presidente Lula eu não teria nem condições, nem vontade e nem poderia dizer não, como petista. É de coração que estou saindo desta disputa", disse Marta, reconhecendo que seu gênio combativo tenderia a provocar uma divisão ainda maior na base partidária.

“Uma prévia é uma coisa muito difícil, principalmente para uma pessoa tão aguerrida e combativa como eu sou. Uma prévia seria muito ruim para o partido, porque não importa quem ganhasse, o partido sairia absolutamente rachado, sem unidade, impossibilitado de ganhar uma eleição. Todo dia eu também fazia essa análise, iria estraçalhar a nossa militância. E eu também sou do jeito que eu sou”, afirmou.

AE
Marta convocou coletiva nesta quinta-feira para anunciar decisão de retirar pré-candidatura

Ao lembrar que conversou em diversas ocasiões com Dilma, Marta citou como exemplo de sua combatividade o fato de ter declarado que Haddad seria uma boa escolha para abrir espaço a um nome novo no PT, mas não para vencer uma eleição. “Eu sou combativa, tentei ser o mais light possível nessa disputa. Mas mesmo assim saiu essa frase”, riu

Marta, no entanto, disse não se arrepender das declaração. “Eu estava num momento de disputa”, afirmou, lembrando que na época ainda acreditava poder convencer Lula endossar sua pré-candidatura.

Apoio

Apesar de se retirar da disputa, Marta não quis declarar apoio imediato a Haddad. Ela destacou que o partido ainda está em meio ao processo para a definição do candidato e disse que vai se pronunciar no momento em que o quadro estiver definido. “Estamos num processo e este processo não está terminado. Então, vou me resguardar até terminar o processo, com o devido respeito ao Haddad, ao Zarattini, ao Jilmar e ao Suplicy. Espero o processo terminar para ver como é que fica”, afirmou, em referência aos também pré-candidatos Carlos Zarattini, Jilmar Tatto e Eduardo Suplicy.

A senadora reconheceu que a decisão de deixar a disputa interna já estava amadurecida e o pedido de Dilma, segundo ela, apenas sacramentou a escolha. "Sinto que aos poucos, realmente, as lideranças importantes, os deputados e vereadores, passaram a apoiar o pré-candidato Haddad. Mas nunca senti nem por um minuto, nas trinta e tantas caravanas zonais, nada além do imenso carinho da militância. Isso foi o que me deu sustenção até este momento.”

Lula

Pouco antes de anunciar a desistência, Marta comunicou formalmente sua decisão ao comando partidário . Mas o primeiro a ser avisado, segundo a senadora, foi Lula. Marta disse telefonado nesta manhã ao ex-presidente, que se recupera da primeira sessão de quimioterapia para combater um câncer na laringe . “Ele estava com a voz ótima”, afirmou Marta. 

De acordo com a senadora, o ex-presidente afirmou apenas que não aguentava mais ficar em casa e que, na próxima semana, pretende retomar as atividades no Instituto Lula.

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