Marcha contra corrupção atrai maçons, crianças e senhoras em SP

Cerca de 5 mil pessoas participam de manifestação na Avenida Paulista durante o feriado. Um punk foi preso após tumultuar protesto

Nara Alves, iG São Paulo |

A Marcha Contra Corrupção que acontece no feriado de Nossa Senhora de Aparecida , dia das crianças, reuniu na capital paulista estudantes, famílias, associações de bairro e movimentos como o da maçonaria. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 1 mil pessoas se reuniram em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na Avenida Paulista. Até o fim da tarde, o número de participantes subiu para 5 mil.

Veja imagens das marchas por todo o País

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Marcha Contra a Corrupção reuniu cerca de mil pessoas em São Paulo
Os manifestantes não interromperam o tráfego de veículos e solicitam que os motoristas buzinem enquanto o farol está fechado. Com apitos, megafones e faixas eles pedem a aprovação definitiva da Lei da Ficha Limpa, o fim da imunidade parlamentar, a tipificação da corrupção na lei de crimes hediondos e a investigação sobre as denúncias do deputado Roque Barbiere, do PTB de São Paulo, de que deputados estariam vendendo emendas parlamentares .

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Integrantes da maçonaria engrossaram a Marcha
Os protestos tiveram como alvo políticos como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD-SP), o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e o deputado Paulo Maluf (PP-SP).

De acordo com o coordenador do movimento Unidos Contra a Corrupção, Márcio Zalma, de 43 anos, a marcha é apartidária. “Protestamos contra a corrupção em todos os níveis, desde o suborno no trânsito até a corrupção dos políticos. A corrupção está enraizada no povo”, disse.

Um dos movimentos que trouxe mais manifestantes foi o da Maçonaria Contra a Corrupção. Cerca de 400 maçons engrossaram a marcha paulista. Um deles é o analista de qualidade Daniel Berbel, de 23 anos.

“A maçonaria é uma sociedade secreta filantrópica de mais de mil anos. Em São Paulo, há cerca de 30 lojas ( núcleos de reunião maçom ) e no movimento contra a corrupção somos mais de 2 mil”, calcula Berbel, que faz parte do núcleo da Lapa, que tem 130 pessoas, em sua maioria trabalhadores com mais de 40 anos, segundo ele.

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ONG de senhoras foi para dar exemplo a jovens
“Estamos em todas”

A Marcha contra a Corrupção também conta com a participação de senhoras da organização não-governamental Amigos Associados de Ribeirão Bonito. A aposentada Cristina da Veiga, de 62 anos, conta que conheceu a associação enquanto participava da marcha contra corrupção do 7 de setembro . “Somos um grupo de 20 pessoas, amigos de infância, e decidimos aderir ao movimento para dizer aos jovens: até quando você vai ficar sem fazer nada? A gente tem que mobilizar a juventude porque a gente já fez muito.”

Segundo a aposentada, as amigas participaram das passeatas pelo impeachment do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL). “Eu estava grávida quando participei da Marcha da Família com Deus pela Liberdade em 1964”, diz Maria Luiza Marques. “Estamos em todas”, completa a empresária Ana Maria Souza Queiroz, de 65 anos.

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Família comemora Dia das Crianças com participação no evento

Famílias inteiras também participaram do protesto. A técnica contábil Cleide Coutinho, de 37 anos, e seu marido, o engenheiro Carlos Eduardo Minniti, de 51 anos, trouxeram as duas filhas, Ana Clara, de 3 anos, e Carla, de 12, para comemorar o dia das crianças protestando contra a corrupção. “Trouxe elas porque a gente começa mostrando para os nossos filhos, para que participem”, disse a mãe.

Cleide é ativista contra a verticalização do bairro de Perdizes, na zona oeste da cidade, e contra a especulação imobiliária abusiva na cidade de São Paulo. Com uma camiseta contra Kassab, ela acusou o prefeito de interferir no crescimento do bairro por causa da especulação. “Assim como está acontecendo no Itaim Bibi por causa da venda do Quarteirão ( da Cultura ) nós também protestamos em Perdizes. Mas a voz do povo não está sendo ouvida”, protesta Cleide.

Voto distrital

Outro grupo que se associou à marcha desta quarta-feira foi o Eu Voto Distrital. Um dos líderes do grupo, que contou com cerca de 100 pessoas na marcha, é o empreendedor social Pablo Ribeiro, de 25 anos.

Pablo distribuiu aos manifestantes um folheto que pede assinaturas para incentivar a aprovação do voto distrital no Congresso Federal. A meta, segundo ele, é coletar 1 milhão de assinaturas para pressionar os parlamentares.

Incidente

De acordo com a PM, a marcha transcorreu sem incidentes graves. Em uma ocorrência, porém, um jovem punk foi preso após jogar pedras contra a lanchonete da avenida Paulista. Ele estava em meio à multidão que realizava o protesto.

AE
Punk é preso pela PM após tumultuar marcha em SP

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