Maioria do PMDB quer mais que R$ 560, diz Cunha sobre mínimo

Autor da proposta de R$ 560 para salário mínimo, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) diz que partido foi prejudicado na montagem de Ministério

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Autor da proposta de aumento do salário para R$ 560 em vez dos R$ 540 apoiados pelo governo, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) disse que a bancada peemedebista, “em sua maioria, é capaz de defender um valor maior”. Em entrevista ao iG , ele empenhou-se em negar que a discussão do salário mínimo esteja relacionada à distribuição de cargos de segundo escalão como também disse do líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN).

No entanto, Eduardo Cunha afirmou que o partido saiu perdendo na formação do ministério da presidenta Dilma Rousseff . “O PMDB perdeu substância no ministério e até agora está perdendo no segundo escalão”, disse. Deputado com forte ascendência dentro da bancada e até em partidos como PSC, Eduardo Cunha conseguiu, durante o governo Lula, emplacar o aliado político Luiz Paulo Conde na presidência de Furnas, companhia estatal de energia elétrica.

Ao iG, no entanto, afirmou que não faz indicações individuais. “O PMDB nacional vai defender os cargos que cabem ao partido. Depois dentro do PMDB, a gente vai definir a forma de acomodação”, afirmou. Leia a entrevista abaixo:

iG: O senhor vai defender R$ 560 como valor do salário mínimo?
Eduardo Cunha: Sim. Só não protocolei minha proposta porque isso não pode ser feito durante o recesso parlamentar

iG: Mas como o senhor concluiu que iria fazer essa proposta?
Cunha: Não tem como concluir nada agora. É só no debate que nós vamos fazer isso. Conheço as contas públicas. Há um cálculo que a cada R$ 10 equivaleria a R$ 2 bilhões. Então R$ 20 significaria R$ 4 bilhões de despesas a mais. Daí, a gente precisa saber como vai se comportar a Receita nesse primeiro bimestre. Ver como as coisas vão estar no inicio de fevereiro. Essa medida só vai ser votada em março. Temos de esperar como vai estar o comportamento das despesas. Ou seja, temos de verificar se no momento preciso as contas comportam ( o valor do salário de R$ 560 ). Se as contas se comportarem, é fácil de defender.

iG: O governo já sinalizou que pode rever o valor de R$ 540, não é?
Cunha: Em primeiro lugar, essa não é a proposta do atual governo. Essa proposta foi feita pelo governo Lula. É preciso ver qual é o posicionamento claro do governo ( da presidenta Dilma Rousseff ). Eu acho que isso só vai ser expressado na hora da votação. Em segundo lugar, ninguém acredita que o valor que foi mandado era esse mesmo. Isso não corresponde nem ao valor do aumento da inflação. O líder do governo (deputado Cândido Vaccarezza, do PT-SP) disse que seria R$ 543 para poder cobrir a inflação. Se você considerar que até ser votada e entrar vigor já se separaram quatro meses do ano, um terço não será repassado. Só isso daí já sobe uns R$ 2.

iG: O senhor discutiu essa proposta de R$ 560 com o líder do PMDB, Henrique Alves (RN)?
Cunha: Essa proposta é individual. A bancada, em sua maioria, é capaz de defender um valor maior. Pode apoiar o valor do deputado Paulinho (PDT-SP), de R$ 580.

iG: O senhor já sentiu isso?
Cunha: Eu não tenho condições de sentir. O Congresso está em recesso. Mas a bancada está sendo renovada. Tudo começa no dia 1º de fevereiro. Ninguém tem condições de analisar isso precisamente. Podem pedir o do Paulinho ( R$ 580 ), para pedir o meu ( R$ 560 ). Não acredito que fique os R$ 540. Nem o líder do governo diz que os R$ 540 é o número. Não dá para saber precisamente o que a bancada pensa.

iG: Essa discussão do salário mínimo não está relacionado à reivindicações do PMDB por mais cargos?
Cunha: Não tem nada a ver. Fiz a proposta ( de R$ 560 para o salário mínimo ) em 31 de dezembro, quando postei no meu Twitter. Ou seja, fiz a proposta antes desta brigalhada toda.

iG: O senhor acha que esta mal conduzida a formação do segundo escalão?
Cunha: Acho que a gente só pode aferir depois do resultado final. Acho que não é questão de ser mal ou bem conduzido. Está mal resolvido. Em relação ao que foi conduzido, não tenho condições de afirmar. Mas que está mal resolvido até agora está.

iG: Mas como isso pode ser demonstrado?
Cunha: Estou vendo o resultado prático. O PMDB perdeu substância no ministério e até agora está perdendo no segundo escalão. Só resta saber como fica. Pararam agora? Pararam. Vamos ver como vai ser depois.

iG: O senhor vai lutar para manter sua indicação de Luiz Paulo Conde na Presidência de Furnas?
Cunha: Não é minha indicação. Não existe indicação individual. O partido vai indicar os cargos que quer em nível nacional. Depois, a gente se entende dentro do partido a quem caberá o que. Não tem definição nem pleito individual de nada. Não vou defender nada. O PMDB nacional vai defender os cargos que cabem ao PMDB. Depois dentro do PMDB, vai se definir a forma de acomodação.


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