Maia vai morar em residência oficial da Câmara só após vitória

Atual presidente depois de assumir o lugar de Michel Temer, o deputado preferiu não ocupar o imóvel localizado em bairro nobre

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Com o direito provisório de ocupar a residência oficial da presidência da Câmara dos Deputados, o deputado Marco Maia (PT-RS) resolveu que só vai se mudar para o local caso confirme sua eleição no próximo dia 1º de fevereiro. Até agora, ele é candidato único ao posto com mandato de dois anos. Localizada no endereço mais nobre de Brasília, a casa ocupa um terreno de 7.835 metros quadrados.

Eleito primeiro vice-presidente da Câmara em 2009, Maia passou a ter o direito de ocupar o imóvel desde o dia 17 de dezembro, quando Michel Temer (PMDB-SP) renunciou à presidência da Câmara para ser diplomado vice-presidente da República. O deputado petista optou por não morar no imóvel ainda, mas realizou algumas reuniões no local. No réveillon, cedeu a casa para Temer receber sua família.

Embora tenha três quartos, uma suíte, salas amplas, piscina e churrasqueria, espalhados por 768 m² de área construída, a residência oficial da Câmara nunca sofreu uma reforma nas partes hidráulica e elétrica. "A estrutura é a mesma  dos começo dos anos 60", afirmou o diretor de Arquitetura da Câmara, Maurício Matta. Os consecutivos presidentes hesitam em reformá-la por temerem críticas por conta de gastos.

Presidente da Câmara entre 1993 e 1995, o deputado Inocênio Oliveira (PR-PE) elogia a vista, mas emenda: “A casa não é boa. Não tem ventilação nos quartos. Faz muito calor no verão. Como o presidente fica lá apenas dois anos prefere não mudar nada até para que ninguém fique reclamando. A vantagem é o acesso ao lago, a localização e a bela vista”, disse.

O prefeito de João Alfredo (PE), o ex-deputado Severino Cavalcanti (PP), disse ter boas recordações da residência oficial quando exerceu presidência por sete meses há seis anos. “Exerci a presidência na sua plenitude. Gostei de morar lá, onde recebia sempre os deputados”, disse Severino, que presidiu a Câmara de fevereiro a setembro de 2005. Ele renunciou ao ser acusado de cobrar propina do dono do restaurante da Câmara.

Severino foi sucedido por Aldo Rebelo (PC do B-SP). “A casa é boa. Confortável. Eu fiquei pouco tempo lá. Diziam que precisava de uma reforma, mas eu nem tive tempo para pensar nisso”, contou Aldo, que tentou a reeleição em 2009 mas acabou derrotado por Arlindo Chinaglia (PT-SP) em 2007. O petista realizou uma churrascada para os funcionários quando deixou a casa em 2009.

Nos últimos dois anos, Michel Temer, que havia sido eleito presidente da Câmara pela terceira vez, morou na residência oficial com a família. Em um dos quartos foi colocado um berço para seu filho de dois anos. Temer vai se mudar para o Palácio do Jaburu, mas antes fará uma reforma no local.

Casa de engenheiro

A facilidade de ter uma residência oficial não é exclusividade do presidente da Câmara. O presidente do Senado também conta com um imóvel à disposição, mas José Sarney (PMDB-AP), por exemplo, prefere morar na sua casa própria e usar o imóvel para eventos políticos.

No caso da residência oficial da Câmara, entretanto, o projeto inicial da casa não previa a finalidade de servir ao presidente da Casa. Seu objetivo inicial era abrigar a família de um engenheiro que integrou o Grupo de Trabalho de Brasília (GTB), implantado para construir a capital federal. A diretoria do Departamento de Arquitetura da Câmara não tem registros do nome deste engenheiro. "Ao longo dos últimos 50 anos, foram feitas ampliações, uma série de puxadinhos, para abrigar melhor os presidentes. A manutenção é frequente, mas nunca teve uma reforma profunda”, completou o diretor de Arquitetura da Câmara.

nullSegundo Matta, a maior alteração da casa ocorreu no fim da década de 70 e começo dos anos 1980. Na oportunidade, a arquiteta Gisela Magalhães (1931-2003), que integrou a equipe de Oscar Niemeyer, foi contratada para remodelar a residência oficial da Câmara. “Nesta época, foram construídas a piscina, churrasqueira e se ampliou  a área de lazer”, contou Matta.

Outra vantagem é a localização na vila chamada Península dos Ministros, no quadra 12 do bairro Lago Sul. Trata-se da vila mais valorizada da Brasília. Um terreno das mesmas dimensões no local não fica menos que R$ 2 milhões.

A área construída da casa é de 768 metros quadrados. Há uma suíte, três quartos, escritório, sala com quatro ambientes, área para churrasqueira e uma piscina com 50 metros quadrados. Os móveis são simples e há apenas uma obra considerada de valor: um quadro do artista gaúcho Glênio Bianchetti, 83 anos, que nos anos 1960 morou na capital federal e participou da criação da Universidade de Brasília.

Segundo Matta, existem estudos para se realizar uma grande reforma na residência oficial da Câmara. Segundo o arquiteto, são necessárias, principalmente, troca do sistema hidráulico e elétrico. Outra mudança seria a disposição dos quartos, que atualmente são voltados para dentro da casa. “Essa reforma custaria cerca de R$ 1 milhão", disse.

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