Lupi tenta mostrar força no PDT para ficar no Trabalho

Ministro participa de reunião da cúpula do seu partido no começo da noite desta terça-feira. Desafetos não foram convidados

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
O ministro Carlos Lupi, durante audiência no Senado, na quinta-feira
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, reúne-se hoje à noite com a Executiva do PDT para demonstrar que tem apoio do partido e consolidar sua permanência no governo. Isso, pelo menos, até janeiro do ano que vem, para quando está prevista uma reforma ministerial em que ele deve ser substituído na pasta.

Como o iG antecipou no começo de novembro , Lupi avisou a aliados que deixaria a pasta do Trabalho em janeiro de 2012. No entanto, nas últimas semanas, uma série de reportagens sobre irregularidades na pasta quase causou sua demissão imediata. Lupi teve de ir duas vezes ao Congresso dar explicações.

Lupi mergulhou numa crise administrativa após revelações sobre irregularidades em convênios com Organizações Não-Governamentais, a maioria comandada por pedetistas. A crise também foi política. Uma ala do PDT ligada ao deputado Brizola Neto (PDT-RJ) reivindica o comando nacional do partido, que é presidido por Lupi desde 2004.

As denúncias no Ministério do Trabalho, portanto, só acirraram os ânimos na legenda. Na semana passada, Lupi foi aconselhado a deixar o ministério por lideranças do PDT interessadas em preservar a pasta sob o comando do partido. Ao receber o apoio da presidenta Dilma Rousseff, ele, porém, decidiu resistir. Seus aliados mais próximos insistem que ele poderia ficar na pasta até mesmo depois da reforma.

Para a reunião de hoje, além dos integrantes da reunião da Executiva do PDT, foram convidados os presidentes dos diretórios regionais do partido. Nos dois colegiados, Lupi conta com o apoio da maioria dos seus integrantes. Nos Estados, a maior parte dos diretórios é comandada por comissões nomeadas em caráter provisório pelo ministro

“Duvido que alguém vai pedir a saída dele do cargo”, afirma o deputado Mário Heringuer (PDT-MG). Ele avalia que a diminuição de denúncias também ajudou Lupi. “O quadro é outro. Além disso, parece que Dilma quer que ele fique”, completa.

Os maiores adversários de Lupi no PDT fazem parte das bancadas da Câmara e do Senado. “Eu não fui convidado para a reunião”, conta o deputado José Reguffe (PDT-DF). “Eu fiquei sabendo do encontro pela imprensa”, diz Miro Teixeira (PDT-RJ).

Líder da bancada da Câmara, Geovanni Queiróz (PDT-PA) defende a permanência do PDT no Ministério do Trabalho só se for com a presença de Lupi. “Não tem razão para sair. Se ele sair, não devemos indicar ninguém”, afirma Queiróz.

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