Lupi retoma PDT e diz que 'não existe' ceder comando do partido

Ex-ministro do Trabalho fala ao iG com exclusividade. Nega que será candidato a vereador, mas elogia Cesar Maia e Gabeira

Adriano Ceolin, iG Brasília |

AE
Lupi volta ao comando do PDT
Um mês após deixar o Ministério do Trabalho em meio a denúncias de irregularidades, Carlos Lupi retoma hoje o comando o PDT. Ele falou com exclusividade ao iG sobre seus planos. Negou que será candidato a vereador do Rio de Janeiro, mas elogiou o ex-prefeito Cesar Maia e o ex-deputado federal Fernando Gabeira (PV) que já anunciaram suas candidaturas à Câmara Municipal de Vereadores.

Leia também: Em outubro de 2011, Lupi admitiu ao iG pressão para deixar ministério

Apesar da crise interna no PDT e a pressão para que ceda a presidência da legenda para o deputado Brizola Neto (RJ), Lupi afirma que se manterá no comando nacional do partido. “Isso daí (a troca por Brizola) aconteceu enquanto eu estava no ministério. Eu estava licenciado. Agora eu voltei para a Presidência do PDT e esse fato não existe mais”, diz ao iG. “Tem um grupo aqui (no Rio) que faz oposição desde a época do Brizola. Então é não novidade”.

Leia a íntegra da entrevista:

iG: O senhor toma posse de novo hoje do PDT?
Carlos Lupi:
Posse não. Estou estava licenciado. Automaticamente, quando eu saí do ministério (do Trabalho), eu podia voltar. Mas daí eu tirei um período de férias e estou retornando normal.

iG: Quais são seus projetos agora à frente do PDT?
Lupi:
Cuidar do partido. A gente está tratando de se organizar para as eleições municipais. Aquilo que eu desenvolvo há anos, desde quando o (Leonel) Brizola era vivo. Sempre fui uma espécie de executivo do partido.

iG: Aí no Rio de Janeiro o senhor já tem um projeto? Deve apoiar mesmo o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB)?

Lupi: Ainda não. A gente já faz parte do governo dele, mas ainda estamos numa fase de consultas. Não tem uma decisão final. A tendência maior é apoiá-lo.

iG: O senhor pretende ser candidato a vereador?
Lupi:
Não. Não sou candidato a nada.

iG: No Rio, o ex-prefeito Cesar Maia (DEM) e o ex-deputado federal Fernando Gabeira (PV) pretendem concorrer à Câmara Municipal. O senhor não se animou também?

Lupi : Eu vi. Acho que é uma boa, eleva o debate. São pessoas experiências e trazem um debate ideológico importante.


iG: O senhor não se animou não?

Lupi : Não. Eu acho que agora a minha contribuição é mais partidária. Como eu tenho responsabilidade nacional, eu tenho de cuidar do partido no Brasil todo. Não posso ficar fixado no Rio.

iG: O PDT pretende lançar candidatos em todas as capitais?
Lupi:
Onde for possível. Nós já temos hoje cerca de 15 pré-candidatos anunciados. Onde foi possível é a nossa intenção. Hoje nós temos mais 350 prefeitos e nós pretendemos passar de 500 nesta eleição.

iG: O PDT pode fazer alianças com o PSDB ou só com os partidos da base? Existe veto?
Lupi:
Não tem veto. É claro que nós temos de caminhar ao lado dos partidos que temos afinidade, os partidos de esquerda, o PT, PSB, o PC do B e o PMDB, que é a base. Aqueles que não são da base é mais difícil, mas nós vamos respeitar a autonomia de cada local.

iG: O senhor vai ser um dos interlocutores do PDT na reforma ministerial?
Lupi:
Nós já deixamos claro, desde as outras reuniões, mesmo eu não estando no exercício (da Presidência do PDT), que nós vamos continuar apoiando a presidenta Dilma independentemente de cargo. A decisão de chamar (para discutir a reforma) é dela.

iG: Alguns integrantes do PDT, sobretudo o deputado Paulinho da Força (SP), têm afirmado que é preciso defender a gestão do partido frente ao ministério. O senhor vai fazer isso?

Lupi: Acho que isso não é necessário. A população sabe o resultado de emprego. Sabe as linhas de crédito que nós lançamos com o Fundo de Garantia (de Tempo de Serviço-FGTS) e com o FAT (Fundo de Amaro do Trabalhador). Até agora você vê que não tem um fato concreto. Nada de nada. Não tem um inquérito contra mim. Todas as iniciativas que tivemos, alguns tipo de irregularidade, fomos nós que tomamos a iniciativa. Nós pedimos a Polícia Federal para apurar. Nós sustamos alguns pagamentos que poderia nos dar problema. Não tenho preocupação em divulgar aquilo que a população sabe. Agora, em todos os momentos que a gente puder, a gente vai continuar discutindo.

iG: No PDT, existe aquele possibilidade que chegou a ser aventada de que o senhor poderia ceder o comando do partido para o deputado federal Brizola Neto (RJ)?
Lupi:
Não tem nenhuma deliberação. Isso daí (a troca por Brizola) aconteceu enquanto eu estava no ministério. Eu estava licenciado. Agora eu voltei para a Presidência do PDT e esse fato não existe mais.

iG: E aquela crise interna? Foi solucionada?
Lupi:
Isso é aqui no Rio. Tem um grupo aqui que faz oposição desde a época do Brizola. Então é não novidade. A gente tem de conviver com as controvérsias, com as divergências de opinião. Estou tranquilo para administrar isso daí. Faz parte da vida política.

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