Ministro do Trabalho usa argumento da "chamada pública" de ONGs para se defender de convênios suspeitos

Lupi diz que fica no cargo de ministro
AE
Lupi diz que fica no cargo de ministro
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, disse nesta terça-feira que não pode se responsabilizar por convênios com suspeitas de irregularidades ou com desvios de recursos uma vez que existe a “chamada pública” para a realização de parcerias com Organizações Não-Governamentais (ONGs). Para ele, as denúncias contra a pasta são inverídicas e somente uma “bala forte” pode resultar em demissão.

“Para me tirar (do ministério) só abatido à bala. E tem que ser bala forte, pois sou pesadão”, disse, em entrevista na sede do PDT em Brasília. “Para todas as ONGs (que fecham convênios, nós) fazemos a chamada pública”, completou Lupi, que antes teve uma reunião com bancada do partido na Câmara.

Essa chamada pública permite que qualquer ONG possa se candidatar a um convênio, sendo o mesmo fechado com aquela que o ministério entender que reúne as melhores condições para realizar o trabalho.

O iG tem revelado desde o dia 26 que ONGs ligadas ao PDT são suspeitas de desvio de recursos em convênios firmados com o Ministério do Trabalho . Na série de reportagens há depoimentos de uma testemunha, dono de uma empresa de fachada, afirmando ter levado dinheiro para representantes de entidades dirigidas por trabalhistas.

O iG também revelou que a mulher ex-assessor especial do gabinete de Lupi e atual coordenador de Convênios da pasta, Manoel Eugênio Guimarães de Oliveira, foi empregada na Confederação Nacional dos Evangélicos (Conae), uma ONG que recebeu R$ 3,1 milhões do Ministério e é suspeita de desvio de recursos.

Sobre o tema, Lupi alegou desconhecimento sobre as relações do servidor. “Não sei se é esposa dele”, afirmou.

O ministro disse ainda que conta com o apoio da presidenta Dilma Rousseff e desafiou a imprensa a encontrar qualquer exemplo de corrupção que envolva seu nome. "Não tenho dúvida do apoio, a presidenta me conhece há 30 anos, não são há 30 dias. E nem essas acusações levianas em nenhum momento falam do meu nome, pois nem no anonimato as pessoas tem a ousadia e coragem".

Por fim, disse que vai processar a revista Veja, que publicou reportagem dando conta de um esquema de cobrança de propina de ONGs por servidores do ministério.

Liderança

O líder do PDT na Câmara, Giovanni Queiroz (PA), disse que o partido está coeso no apoio a Lupi e que sua saída do Ministério do Trabalho também seria a saída do partido. "Se sair o Lupi, sai o PDT, se necessário, do governo".

Nos bastidores, porém, um grupo de oito dos 26 deputados são contra a permanência de Lupi. O maior advesário do ministro é o deputado Brizola Neto (PDT-RJ). Ele almeja retomar o comando

Carta para defesa

Para subsidiar sua defesa, Lupi  mandou distribuir à imprensa uma carta enviada pelo chefe de gabinete da Presidência da República, Giles Azevedo à revista Veja .

Na carta endereçada, Giles admite que faz parte de suas funções receber parlamentares que reivindiquem uma audiência com a presidente Dilma Rousseff. No entanto, ele alega que jamais ouviu "de deputados do PDT, ou de qualquer outro partido" relatos sobre irregularidades no Ministério do Trabalho.

*Com informações da Agência Estado

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