Lupi afasta assessor após denúncias de irregularidades com ONGs

Assim como o iG publicou durante a semana, revista Veja aponta irregularidades em repasses do Ministério do Trabalho

iG São Paulo |

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, determinou neste sábado o afastamento do assessor especial e coordenador-geral de Qualificação, Anderson Alexandre dos Santos, após denúncias publicadas pela revista Veja de que ele seria operador de suposto esquema de cobrança de propinas a organizações não governamentais (ONGs) que tinham contratos com a pasta. Lupi também pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal investigue as denúncias.

Assim como o iG já publicou essa semana , a reportagem da revista denuncia irregularidades em repasses de verba na pasta. Por meio de nota, Lupi disse que "não compactua com nenhum tipo de desvio de recursos públicos" e mandou abrir sindicância para apurar as irregularidades. O ministro qualificou a reportagem de "denúncia vazia". Segundo ele, "as pessoas que denunciam se acovardam no anonimato". Carlos Lupi disse, ainda, que o PDT "nunca compactuou com esse tipo de esquema".

Segundo a revista, integrantes do PDT, liderados por Lupi, teriam transformado os órgãos de controle do ministério em instrumento de extorsão. Relatos de dirigentes das ONGs Instituto Êpa, do Rio Grande do Norte e Oxigênio, do Rio de Janeiro, revelam que as entidades contratadas pelo Trabalho para treinamento passavam a enfrentar problemas com a fiscalização da pasta e tinham os repasses de recursos bloqueados. Depois eram procurados pelos assessores Anderson Alexandre dos Santos e Weverton Rocha – hoje deputado federal –, que exigiam propina entre 5% e 15% do valor do contrato para que voltassem a receber recursos. Os dois respondiam diretamente a Marcelo Panella, tesoureiro do PDT e homem da confiança de Luppi que foi demitido em agosto.

Na nota, divulgada pela assessoria, o ministro informa que o afastamento de Santos valerá pelo tempo que durar as investigações. Mas ressalta que será respeitado princípio da ampla defesa tanto dele como de outros servidores envolvidos nas denúncias.

O ministro do Trabalho está na mira da presidenta Dilma Rousseff, que deve reformar sua equipe no início de 2012. Essa semana, Lupi contou a dois assessores que pretende deixar a pasta até janeiro , para evitar uma demissão.

Dilma silencia
A presidenta Dilma não quis comentar as denúncias envolvendo assessores diretos do ministro do Trabalho. Em parada de um dia em Paris, a presidente encontrou-se com a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), almoçou com a comitiva brasileira e visitou um museu.

Questionada sobre as denúncias publicadas pelo iG e pela Veja, a presidente se limitou a dizer que não havia lido as reportagens sobre o tema e que não falaria a respeito. "No Brasil a gente responde."

*Com informações da Agência Brasil e Agência Estado.

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