Lupi admite pressões para sair do Ministério do Trabalho

"Pode ser que o máximo que eu posso não esteja à altura do que Dilma acha", diz ministro em entrevista à TV iG

Adriano Ceolin e Danilo Fariello, iG Brasília | 04/10/2011 09:59

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O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, falou à TV iG sobre as pressões para deixar o cargo. Ele reconheceu que enfrenta desentendimentos com o seu partido, o PDT, e afirmou que tomou medidas que irritaram grupos empresariais. Lupi está no governo desde março de 2007, quando foi nomeado por Luiz Inácio Lula da Silva. Em janeiro deste ano, foi mantido pela presidenta Dilma Rousseff na pasta.

“Sou desafiador. Não temo nada nem a ninguém. Sou do time de Leonel Brizola. Tenho minha consciência tranquila de estar fazendo o máximo que eu posso. Pode ser que o máximo que eu posso não esteja à altura do que ela (a Dilma) acha ou do que o partido", disse “Eu com a presidenta Dilma tenho uma relação de uma fraternidade e uma sintonia muito grande. Como tive com o presidente Lula".

Nas últimas semanas, Lupi entrou na lista dos ministros que poderão deixar o cargo na reforma ministerial que deverá ocorrer na virada do ano. Ele disse que a maioria das especulações partem de pessoas descontentes com sua gestão no Ministério do Trabalho. "Quando ousei falar que o dinheiro público tinha de ter contrapartida social foram pelo menos 10, 12 editoriais xingando até minha pobre mãezinha". 

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Diante das recentes greves, Lupi afirmou que tende a ficar ao lado dos trabalhadores, mas disse acreditar que as paralisações deverão acabar logo. "A minha parte do trabalhador quer puxar um pouquinho para o seu lado. Eu faço eu mesmo. Se eu puder ter 30% de aumento por que vou aceitar 10%? Agora ganho real estamos tendo", disse. "Daqui a pouquinho vai sair o acordo", completou.  

O ministro do Trabalho também falou sobre o lançamento do programa e do projeto de lei que estabelecerão as novas regras para contratação de trabalhadores domésticos, de acordo com a convenção da Organização Internacional do Trabalho (OIT) aprovada este ano. O Brasil ratificou a decisão que estabelece que todos as empregados devem ter contrato assinado e um limite para a jornada de trabalho.

 "(O lançamento do programa demora) Não mais do que uns 15 a 30 dias. Está na base dos cálculos do Ministério da Fazenda, fazendo os impactos", disse. "O Estado vai ganhar. São cinco milhões de brasileiras e brasileiros que estão fora do mercado formal. (Com o projeto) você está quebrando esse crime que a sociedade faz com quem trabalha em casa como se fosse trabalhador de segunda categoria". completou.

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