Carlos Lupi acerta demissão com a presidenta Dilma

Após série de denúncias, ministro do Trabalho cai; Dilma perde sétimo ministro em menos de um ano no governo

Adriano Ceolin e Severino Motta, iG Brasília |

AE
Carlos Lupi era ministro desde março de 2007
Em reunião com a presidenta Dilma Rousseff , Carlos Lupi acertou hoje sua demissão do Ministério do Trabalho. Ele resolveu tomar a decisão ao ser informado que não tinha mais o apoio da presidenta. "Não dá mais", disse Lupi a um dos aliados dentro da legenda da qual é presidente em exercício. O iG apurou que ele já havia marcado uma reunião da Executiva Nacional do partido para anunciar sua decisão.

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Em nota, Lupi se diz vítima de 'ódio de forças reacionárias'

Na quarta-feira passada, a situação do ministro havia se agravado por conta do relatório da Comissão de Ética da Presidência da República que recomendou a sua exoneração do cargo. Num primeiro momento, Dilma optou por ganhar tempo. Pediu mais detalhes sobre o caso e recomendou que Lupi se explicasse mais.

Outro fato que pesou contra o ministro foi a revelação de que acumulou dois cargos públicos ao mesmo tempo, um como assessor da Câmara Municipal de Vereadores do Rio de Janeiro e outro como assessor da liderança do PDT na Câmara dos Deputados. O caso foi noticiado pelo jornal Folha de S.Paulo . O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse que, "em tese" Lupi cometeu um crime.

As denúncias contra Lupi se agravaram a partir do fim de outubro. No dia 26 daquele mês, o iG revelou que o esquema de desvio de recursos do Ministério do Esporte para Organizações Não-Governamentais também operou na pasta do Trabalho. Reportagem do portal trouxe o depoimento de um empresário que disse ter emitido notas "fiscais frias" para ONGs ligadas ao PDT.

Corrupção e avião particular

Em seguida, a revista Veja publicou reportagem mostrando um suposto esquema de arrecadação de propina envolvendo funcionários da pasta. Na semana seguinte, uma denúncia agravou ainda mais a situação de Lupi. A mesma revista revelou que ele usou um avião cedido por uma ONG para realizar uma viagem a municípios do Maranhão.

Em princípio, Lupi negou ter usado "aviões particulares" durante audiência na Câmara dos Deputados. Ele chegou a divulgar uma nota na página do Ministério do Trabalho desmentindo a informação sobre a marca do avião, um King-Air de cor azual e branca. Dias depois, no entanto, o site Grajaú de Fato publicou uma série de fotografias em que Lupi e outros militantes do PDT apareciam no avião citado.

O ministro também negou que conhecia o presidente da ONG Pró-Cerrado, Adair Meira. Ele foi o responsável por providenciar o avião King-Air para Lupi e outros militantes do PDT voarem. Ex-secretário de Políticas para o Emprego, Ezequiel de Sousa Nascimento confirmou a versão de Meira. Depois, o próprio dirigente da ONG desmentiu Lupi e disse que o ministro o conhecia.

Falta de apoio político

Além dos problemas com denúncias, Lupi somou desafetos no PDT. A começar pelo deputado Brizola Neto (PDT-RJ), que reivindica o comando da sigla. A crise no Ministério, no entanto, acabou atingindo a imagem do partido. Num primeiro momento, os pedidos de demissão vieram do deputado José Reguffe (PDT-DF) e do senador Pedro Taques (PDT-MT).

Aos poucos, contudo, o número de pedidos para que Lupi saísse da pasta. Até mesmo, o presidente em exercício do PDT, André Figueiredo (CE), chegou a recomendar que ele deixasse o cargo. Em vão, Lupi tentou se segurar, pelo menos, até janeiro do ano que vem quando deve ser realizada a reforma ministerial. 

Em nota, a presidenta Dilma agradeceu "a colaboração, o empenho e a dedicação do ministro Lupi ao longo de seu governo" e disse ter certeza de que ele continuará dando sua contribuição ao País. A partir desta segunda-feira, responde interinamente pelo Ministério do Trabalho o secretário-executivo Paulo Roberto dos Santos Pinto.

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