Lula orienta entendimento entre PT e PMDB na Câmara

Presidente lembrou derrotas que sofreu em seu governo, pediu entendimento entre siglas e cuidado com a 'severinada'

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Durante café da manhã com a bancada do PT, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu união, atenção e empenho dos parlamentares na hora de discutir e decidir as presidências e vice-presidências da Câmara e do Senado. O recado de Lula é principalmente em relação à Câmara, cuja presidência caberá ao partido, porque está preocupado com a quantidade de nomes que está surgindo.

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Lula reunido com a bancada do PT em Brasília
Segundo ele, isso pode levar à divisão dos parlamentares, com uma consequente derrota, o que seria péssimo para o novo governo. "É preciso aprender com os erros do passado. Cuidado com a 'severinada'", afirmou ele, ao se referir à disputa ocorrida em 2005 quando o PT teve dois candidatos à presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh e Virgílio Guimarães, e a eleição acabou indo para o segundo turno, com o PT sendo derrotado por Severino Cavalcanti, representante do baixo clero, que é do PP.

"Naquele dia fui dormir certo da vitória do Greenhalgh presidente e acordei com Severino Cavalcanti (no comando da instituição) e com o PT tendo recebido no segundo turno, menos votos do que no primeiro", citou o presidente, pedindo união do partido. Hoje, o PT tem três pré-candidatos à presidência da Câmara: Cândido Vaccarezza (SP), Marco Maia (RS) e Arlindo Chinaglia (SP).

O presidente Lula advertiu ainda a importância do PT não abrir mão da vice-presidência do Senado, lembrando aos parlamentares que, na ausência do presidente da Casa, quem conduz as votações e as sessões é o vice-presidente.

Lula avisou que "não vai sair da cena política", mas que, a princípio, "vai dar um tempo" para "tentar desencarnar da Presidência". Reconheceu, no entanto, que "não sabe quanto tempo vai aguentar (desencarnado): se um mês, dois meses ou quem sabe três meses". Neste período, afirmou, quer descansar e dar atenção à família.

Governo
Em sua fala, Lula pediu que o PT "apoie e dê sustentação" ao governo da presidente eleita, Dilma Rousseff . "Na dúvida, tenham um lado, apoiem (a presidente Dilma), disse ele, ao se referir às dificuldades enfrentadas durante a crise do 'mensalão em 2005', quando muitos companheiros de partido o abandonaram. "O presidente pediu ajuda para a Dilma governar", disse o deputado Virgilio Guimarães (MG). "É preciso ter paciência para enfrentar as dificuldades", prosseguiu Lula, segundo José Pimentel (CE).

Pimentel comentou ainda que o presidente declarou que é preciso aumentar os investimentos em saúde e, para isso, "é preciso encontrar uma fonte de financiamento". Nesta hora, voltou a falar das dificuldades de seu governo, considerando a perda da CPMF um dos grandes problemas, que impediu que se pudesse fazer as mudanças na saúde que o governo desejava por falta de recursos.

O presidente se emocionou algumas vezes. Uma delas, ele chegou a embargar a voz, quando falou das dificuldades enfrentadas em 2005, ano do mensalão, e aproveitou para agradecer a militância do partido, pois não acreditava que ela comparecesse às urnas para a votação interna do PT. "Quando muitos achavam que o partido estava destruído, ele renasceu. Demos a volta por cima. O PT levantou a cabeça", comemorou Lula.

No café da manhã com os parlamentares, Lula também parabenizou duas das ministras petistas presentes, Maria do Rosário, nomeada para Direitos Humanos e Ideli Salvatti, para a Pesca, e insistiu na necessidade de apoio da bancada à presidente eleita. O deputado Elismar Prado (MG), disse que Lula insistiu que Dilma vai herdar um país melhor do que ele recebeu.

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