Lula: não haverá paz no Oriente Médio enquanto EUA mediarem

Para presidente, é preciso da participação de outros países nas negociações; Lula voltou a defender diálogo com Irã

Reuters |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira (20) que não acredita em um acordo de paz no Oriente Médio enquanto o principal mediador forem os Estados Unidos.

"Estou convencido que não haverá paz no Oriente Médio enquanto os Estados Unidos forem o tutor da paz", discursou Lula durante encontro de final de ano de oficiais das Forças Armadas, em Brasília.

"É preciso envolver outros agentes, outros países para poder negociar a questão da paz no Oriente Médio. Não é uma questão dos Estados Unidos", disse.

Os EUA tentam mediar um acordo entre Israel e palestinos que até agora não surtiu efeito.

Lula tem defendido um papel mais atuante do Brasil no processo de pacificação do Oriente Médio. Em maio, visitou o Irã para tentar mediar um acordo em relação ao programa nuclear da República Islâmica.

O Ocidente suspeita que o programa de Teerã visa desenvolver armas nucleares, mas o governo iraniano afirma que o objetivo é a obtenção de energia.

O presidente lembrou que a conversa com seu colega iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, levou em conta os termos de uma carta enviada a ele pelo presidente norte-americano, Barack Obama, dez dias antes de sua visita a Teerã.

"Antes de viajar, nós recebemos uma carta do presidente Obama que colocava algumas condições (para um acordo internacional)", disse Lula.

"O presidente Ahmadinejad aceitou exatamente o termo que levamos e por isso assinou que estava disposto a sentar na mesa na comissão em Genebra", declarou.

O Brasil e a Turquia tentaram mediar um acordo de troca de combustível nuclear com o Irã, para evitar a imposição de sanções ao país. No entanto, o acordo não impediu que as potências ocidentais seguissem pressionando por novas sanções ao país.

Lula argumentou que o único motivo para que o acordo não fosse aceito pela comunidade internacional é porque Brasil e Turquia estariam interferindo em um assunto que não caberia a países emergentes.

"Mesmo assim, os países do Conselho de Segurança (da ONU) resolveram punir o Irã. Por que? A única explicação é que era preciso punir o Irã porque o Brasil e a Turquia tinham se metido numa seara que não era a de país considerado emergente", afirmou.

"O que o Ahmadinejad assinou é exatamente aquilo que o presidente Obama colocou para nós dez dias antes de a gente viajar para o Irã", declarou.

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