Lula: 'Não acredito que tenha imprensa mais livre do que a nossa'

Declaração do presidente ocorre dez dias após José Serra (PSDB) afirmar que governo federal "patrulha e tenta cercear a imprensa"

Matheus Pichonelli, enviado a Sertãozinho (SP) |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta terça-feira que duvida que haja imprensa mais livre no mundo do que a brasileira. Ele fez um balanço de seus oito anos de governo durante participação de feira da indústria sucroalcooleira, em Sertãozinho, interior de São Paulo.

Agência Estado
Presidente Lula participa da abertura da 18ª Feira Internacional da Indústria Sucroalcooleira (Fenasucro), em Sertãozinho (SP)
O presidente destacou o momento “mágico” por que passa o País e ressaltou a consolidação das instituições nacionais. “Não acredito que tenha no mundo imprensa mais livre do que a nossa”, disse ele citando artigo recente do New York Times .

A declaração ocorre cerca de dez dias após José Serra, candidato do PSDB à Presidência, declarar que governo Lula “patrulha e tenta cercear a imprensa”. No 8º Congresso Brasileiro de Jornais, da Associação Nacional de Jornais (ANJ), o ex-governador de São Paulo disse que a atual gestão usa "intimidação" e "patrulhamento" para tolher a imprensa. "É um tipo de ação que se traduz em perseguição sistemática e constrangimento psicológico aos jornalistas e que termina tendo como efeito jornalistas temerosos de represálias." Na época, o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, respondeu ao enviar nota à imprensa repudiando as declarações de Serra. O ministro classificou a acusação de "grave e descabida, sem qualquer apoio nos fatos".

Depois de falar sobre a imprensa, o presidente Lula falou do parlamento como mais um ponto do momento que o País vive. “O parlamento age e funciona abertamente fazendo aquilo que lhe é de direito fazer. Criamos instituições de fiscalização como nunca teve na história do Brasil”, disse.

O presidente afirmou, no entanto, que governantes têm dificuldades para encaminhar obras no País. “Hoje, quem é prefeito, quem é governador, quem é ministro e quer fazer obras, sobretudo na área de infraestrutura, sabe o sacrifício. É quase como subir em uma escadaria de mil degraus de joelhos com vela acesa na mão para pagar promessa”. Ele citou dificuldades para obter licença prévia, passar por tribunais de contas, pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pelo Ministério Público. Lula voltou a ironizar a paralisação de obras por questões que ele considera menores, como pererecas que interromperam construção de parte da BR-101, no Sul do País .

Lula não fez referência direta às eleições. O secretário-geral da Presidência da República, Luiz Dulci, Wagner Rossi, ministro da Agricultura e o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, acompanharam o presidente.

    Leia tudo sobre: Lulaimprensaserra

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG