Lula minimiza palanque dividido para Dilma nos Estados

O presidente disse hoje que não considera crítico à campanha presidencial da pré-candidata Dilma Rousseff a divisão da base aliada

iG São Paulo |

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje que não considera crítico à campanha presidencial da pré-candidata Dilma Rousseff o fato de vários Estados estarem dividindo os partidos da base aliada em dois palanques. "É claro que o ideal é a base unida em torno da candidata, mas se não for possível, como no caso do Pará, paciência. Vamos encontrar um jeito para fazer campanha. Eu acredito muito na capacidade de discernimento do partido para a escolha do palanque", defendeu Lula, depois do lançamento do Plano Nacional de Biocombustíveis, em Tomé-Açu, a 293 quilômetros de Belém. 

Durante a entrevista, o presidente irritou-se ao ser questionado sobre as investigações a respeito do suposto envolvimento do secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Junior, com a máfia chinesa em São Paulo. "Isso é para a Polícia Federal (PF) investigar. Não cabe a mim comentar." 

Sobre a usina hidrelétrica de Belo Monte, o presidente disse que acredita que a maioria da população do Pará quer o seu funcionamento. "A área que vai ser alagada em Belo Monte é menos da metade do que se pensava no projeto original. Não é mais como era nas hidrelétricas na década de 70, 80, quando destruíam tudo e não pensavam na população", disse. 

Em discurso de 45 minutos para uma plateia de cerca de três mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar (PM), embaixo de chuva fina e um calor de 40 graus, Lula explicou as bases do Plano Nacional de Biocombustíveis. O plano prevê uma parceria com a empresa portuguesa Galp Energia, que deve levar, a partir de 2015, 250 mil toneladas de óleo de palma para virar biodiesel e ser consumido pelo mercado europeu. 

"Seja qual for o presidente, cobrem dele (a implantação do plano) e da Petrobras, porque eu vou estar no meu Pernambuco daqui a oito meses, mas venho aqui para cobrar ao lado de vocês, debaixo de chuva e sol", afirmou Lula. 

O investimento será de 1 bilhão de reais: 554 milhões do Brasil para a produção das 250 mil toneladas de óleo de palma por ano e 430 milhões de Portugal, para implantar uma unidade industrial de processamento de biodiesel no país europeu. O Pará é hoje o maior produtor de óleo de palma do Brasil, mas a produção representa 0,5% da produção mundial.

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