Em entrevista a rádios comunitárias, Lula comenta o papel da mídia na cobertura de seu governo

Depois de conceder entrevista a blogueiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fala nesta manhã a 10 rádios comunitárias com transmissão ao vivo pelo Blog do Planalto . Entre os tópicos discutidos na entrevista, Lula falou sobre o papel da mídia brasileira nas comunicações e sobre o preconceito, muito grande e bastante citado nas perguntas a Lula.

Questionado sobre o que fará após sair da Presdiência, Lula disse que terá um papel importante como militante político. “Eu acredito que, como militante político, eu vou conseguir trabalhar com a sociedade brasileira para politizar a questão do marco regulatório e resolver a história das telecomunicações de uma vez”, disse Lula, criticando a concentração dos meios de comunicação brasileira. “Há monopólio, mas avançamos do ponto de vista da comunicação”, pontuou, ressaltando que não quer “tirar nada de ninguém, mas sim ter os mesmo direitos”.

Lula falou ainda sobre as mudanças. “É preciso ter força política para fazer as mudanças que precisam ser feitas”, afirmou comentando sobre o papel das rádios comunitárias nesse cenário. “Há pluralidade nos meios de comunicação, o que não existia há 10 anos atrás”.

Sobre a crise que se instalou no Brasil em 2005 e a maneira como a mídia abordou, Lula se disse vítima de preconceito. “Só não fizeram nada comigo em 2005 por causa do povo”, disse. O presidente argumentou que “não foram adiante por causa do medo da minha relação com a sociedade brasileira”.

As rádios que participam da entrevista de hoje fazem parte da Associação Brasileira de Rádios Comunitárias (Abraço). Na entrevista que deu a blogueiros no mês passado, Lula seguiu um modelo semelhante ao que será adotado hoje. Na ocasião, o presidente teceu elogios à sucessora Dilma Rousseff e disse querer trabalhar para facilitar o trabalho da nova presidenta. Disse ainda que considera a internet a nova mídia e disse que planeja virar blogueiro e twiteiro depois que deixar o Palácio do Planalto. “Quero ficar quatro meses sem fazer nada", disse Lula.

Críticas aos meios de comunicação
“Há uma briga histórica. Os meios de comunicação confundiram isso, como se fosse um cerceamento da liberdade de imprensa. A coisa mais pobre que eu acho é alguém achar que não pode receber críticas, que é intocável”, disse ao acrescentar que nunca pediu para a imprensa “falar bem” dele. “Só quero que falem a verdade, aquilo que aconteceu”, completou.

Lula admitiu que houve críticas quando o governo resolveu fazer o que chamou de “democratização da publicidade”. O número de empresas que atendem ao governo passou de 400 para mais de 8 mil, segundo Lula. “Isso teve uma reação bruta porque você tinha um pequeno grupo que estava acostumado a 'comer' sozinho”, disse.

Rádios comunitárias
Sobre o futuro do Ministério das Comunicações e também das rádios comunitárias, Lula disse que, nos últimos 30 dias de seu governo, provavelmente não dará tempo de tomar mais medidas para o setor, mas que a presidenta eleita, Dilma Rousseff, certamente cuidará do assunto.

“Pode ficar certo que Dilma sabe o que tem de fazer para o Ministério das Comunicações ter um papel mais importante do que o que teve no meu governo, exatamente por causa do marco regulatório”, afirmou, ao destacar que ela é favorável à nova regulação da comunicação no Brasil. “Dilma não veio de onde eu vim, mas ela vai para onde eu vou. É uma mulher de cabeça boa, arejada, que vai fazer coisas extraordinárias”, disse.

A missão da nova pasta será de mais responsabilidade que a do ministério anterior por causa das discussões do marco regulatório. Para Lula, a legislação atual precisa ser atualizada. “Temos uma legislação de 1962, quando não tinha nem fax, nem telefone digital. Imaginem a dificuldade que tivemos de criar a TV pública e ainda falta muito pra consolidar. Não é só uma coisa para a sociedade, é uma estrutura que foi montada. ”, disse.

Desencarne
Lula disse ainda que sua primeira medida a partir de janeiro, quando deixar o Palácio do Planalto, será “desencarnar da Presidência” mas que vai continuar fazendo política como alguém que não ocupa mais o comando do País.

“Tenho de me mancar. Já fui presidente. Agora é a vez de ela (Dilma Rousseff, eleita em outubro) ser presidente. Vou ter de ficar um pouco de fora para depois pensar”, disse. “Não vou parar de fazer política. Só terei de ter cuidado para não fazer oposição ao governo, porque por toda a vida fiz oposição”, brincou.

Lula disse que depois de suas férias pretende criar um instituto para ajudar países mais pobres que o Brasil no desenvolvimento social e econômico. Além disso, pretende mostrar experiências brasileiras, com microcrédito e agricultura familiar, por exemplo, a países africanos e sul-americanos.

“Tenho vontade de (levar essas experiências) à Guatemala, a El Salvador, à África, onde há sedes da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária)”, disse ao acrescentar que pretende, também, viajar bastante pelo Brasil. “Tenho uma relação muito forte com o povo brasileiro, construída ao longo de 35 anos de militância política.”

*Com informações da Agência Brasil

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