Lula e Dilma se emocionam em última despedida de Alencar

'Ele foi mais que um vice. Ele era mais forte do que eu', afirmou ex-presidente; velório em Minas atraiu mais de 6 mil pessoas

Denise Motta, iG Minas, e Nara Alves, enviada especial |

O tom emocional marcou a última despedida do ex-vice-presidente José Alencar , que foi velado nesta quinta-feira na capital mineira Belo Horizonte. Em uma cerimônia que levou mais de 6 mil pessoas ao Palácio da Liberdade - sendo mil autoridades e convidados, além de cinco mil populares - o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a presidenta Dilma Rousseff voltaram a se emocionar ao relembrar a trajetória que percorreram ao lado do empresário.   

Desde logo cedo, populares formavam filas em frente ao palácio. Destes, 3 mil conseguiram visitar o caixão de Alencar, enquanto outras 2 mil pessoas ficaram fora do Palácio da Liberdade.   Ainda assim, entretanto, ficou aquém da expectativa inicial de atrair algo em torno de 10 mil participantes.

O corpo de Alencar chegou ao palácio por volta das 10h30, sob fortes aplausos dos populares que aguardavam na fila pela abertura dos portões. Dom Walmor Oliveira de Azevedo celebrou em seguida uma missa privada para familiares, autoridades e convidados. Os ex-presidentes da República Itamar Franco (PPS) e José Sarney (PMDB) e outros políticos acompanhavam o evento desde cedo.

Já o ex-presidente Lula e a presidenta Dilma Rousseff chegaram ao velório por volta do meio-dia, por um acesso reservado. Ambos assistiram aos momentos finais da missa e permaneceram no local por aproximadamente 37 minutos. Eles decidiram também não participar da cerimônia de cremação, em Contagem, município da região metropolitana da capital mineira. O crematório forneceu um Cadillac para transportar o corpo do ex-vice.

No período em que esteve no velório, Lula voltou a se emocionar e abraçou vários companheiros de militância enquanto circulava pelo salão. Em uma conversa reservada com os amigos, Lula elogiou novamente o antigo companheiro de chapa. "Ele foi mais que um vice. Ele era mais forte que eu", disse Lula. Dilma, que também optou pela discrição, ajudou a consolar familiares do ex-vice.

A celebração transcorreu em absoluto silêncio, com exceção da manifestação de um admirador  que portava um cartaz de homenagem a Alencar e de um copo que quebrou.

Embora tenha atraído pessoas de todas as idades, o velório virou atração inclusive para jovens como o cozinheiro Alexandre Aparecido Carlos, de 26 anos, que decidiu acordar cedo para acompanhar pela primeira vez a despedida de um chefe de Estado. Desde às 6h20 desta quinta-feira, o jovem mineiro ficou em pé, debaixo de sol, à espera da abertura dos portões do Palácio da Liberdade. "Esta é a primeira vez que eu vejo um velório assim", disse o jovem ao iG .

null Recepção

Autoridades governistas e de oposição foram a Minas para a última homenagem ao ex-vice . As primeiras honras ocorreram ainda na base aérea da Pampulha, onde o corpo chegou logo cedo, vindo de Brasília. Nesse caso, o corpo de Alencar foi recepcionado pelo governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), que destacou a fé do ex-vice-presidente e decretou luto de 7 dias em Minas Gerais . Ele estava acompanhado de autoridades locais como o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa.

"José Alencar foi um companheiro leal, esteve em todas atividades políticas de Minas nos últimos 20 anos . Ele sempre esteve pronto para trabalhar pelos interesses de Minas. É uma grande figura, um ser extraordinário e tinha prazer em estar com amigos. Ele viveu intensamente de forma guerreira", disse Costa. Para o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), a trajetória de Alencar foi exemplar. "Ele ( Alencar ) teve uma lição de vida fundamental. Foi uma pessoa que apesar de não ter tido nenhum diploma de curso superior construiu sua trajetória ", afirmou Lacerda.

Dezenas de pessoas acompanharam a chegada do corpo à base aérea. O aposentado José Afonso de Araújo Cunha, 61 anos. Morador da Pampulha, ele disse que o político deixa como exemplo a honestidade. "No mundo corrupto de hoje, ele foi um sinal de esperança". A fonaudióloga Michele Resende de Almeida, 35, foi à base aérea com a família - o marido, Wanderson Almeida, 35, e a filha, Ana Clara, de 5 anos. "Ele é um exemplo de humanidade, de respeito ao próximo, de amor à vida e a Deus. Ele é um exemplo de dignidade, coisa que está faltando no País", ressaltou a fonaudióloga.

Da base aérea, o corpo seguiu no mesmo carro que levou o corpo de Tancredo Neves, em 1985, para o Palácio da Liberdade. O cortejo parou o trânsito de Belo Horizonte.

O corpo do ex-vice- tinha previsão inicial de chegar à base aérea da Pampulha às 9h20. Com os atrasos na primeira etapa da homenagem, o velório acabou sendo estendido até as 13h45.

Polêmica

Em meio às despedidas, a família de Alencar comentou a polêmica envolvendo a suposta filha do ex-vice-presidente. Rosemary Moraes luta na Justiça pelo reconhecimento da paternidade e seus advogados contestavam a cremação, alegando possível prejuízo a um exame de DNA.

O sobrinho de José Alencar, Rodrigo Guarçoni, disse que a cremação era vontade do ex-vice-presidente. Sem ainda saber, no momento da declaração, sobre o destino das cinzas - que a família optou por deixar em uma greja em Muriaé -ele alegou que a família estaria disposta a acatar uma eventual contestação da Justiça, caso ela ocorresse.  “A família trata o assunto no campo legal", disse o sobrinho do ex-vice. Ao falar sobre a luta do tio contra o câncer, Guarçoni agradeceu ao apoio do povo. "Agradecemos ao povo brasileiro pelas orações. Isso o fortaleceu muito."

*Com iG São Paulo e informações da Agência Estado

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