Lula diz que vai registrar seus feitos em cartório

Em tom de despedida, presidente se gabou, durante evento de sindicatos em São Paulo, do alto índice de popularidade de seu governo

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

No seu último Dia do Trabalho à frente do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que vai registrar em cartório um inventário de seus feitos para que o sucessor seja obrigado a fazer mais do que ele próprio. Diante de cerca de 400 mil pessoas, na maior parte jovens desinteressados por política que esperavam pelos shows de artistas populares, na festa promovida pela Força Sindical, o presidente ironizou as críticas pelo suposto tom eleitoral do evento e defendeu Dilma Rousseff, que estava ao seu lado.

AE/CRISTIANO NOVAIS
Presidente Lula discursa durante festa de 1º de Maio da Força Sindical, na zona norte de São Paulo
"Quando deixar a presidência vou mandar registrar em cartório tudo o que eu fiz para entregar para a imprensa, deputados, senadores, universidades, sindicatos, porque eu quero que quem vier depois de mim, e vocês sabem quem eu quero, saiba que tem que fazer mais e fazer melhor", disse Lula.

Em tom de despedida, Lula se gabou dos altos índices de popularidade alcançados no final do governo. "Geralmente os presidentes entram com muita popularidade e saem pela porta dos fundos", disse Lula. Em 2003, depois de passar a faixa para Lula, o tucano Fernando Henrique Cardoso deixou o Palácio do Planalto pelos fundos em vez de descer a rampa.

Lula ironizou as críticas da imprensa pelo fato de empresas estatais terem dado dinheiro para a festa que se transformou em palanque para Dilma. "Vão dizer que é um ato político porque eu vim mas sete anos que eu não vim e os outros vieram ninguém disse que era político", reclamou.

O dono da festa, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, presidente da Força Sindical e deputado pelo PDT, foi além. Alvo de inquéritos por desvio de dinheiro público, Paulinho disse não se importar com as multas da Justiça eleitoral por propaganda antecipada. "Processos eu já tenho uns 30", desdenhou.

Dizendo estar ciente das possibilidade de uma nova multa, Paulinho entoou o grito "Dilma, Dilma, olê olê olá", mas não teve muito respaldo da multidão de jovens que ansiava pelo show da banda KLB.
Paulinho confirmou ter recebido entre R$ 700 mil e R$ 800 mil da Petrobras, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal mas lembrou que a festa, que está em sua 13a edição, sempre contou com dinheiro de estatais. Ele disse também ter convidado o pré-candidato do PSDB, José Serra, que teria recusado o convite.

"A imprensa diz que estamos fazendo um ato político e eu acho que deveríamos fazer mesmo, mas não diz que convidamos o governador de São Paulo, José Serra. Só que ele não veio só para a imprensa poder meter o pau na Dilma. Ele não veio porque não gosta de trabalhador. Uma coisa é fazer discurso para a imprensa, outra coisa é vir aqui e enfrentar os trabalhadores", disse Paulinho.
Na parte da manhã o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), esteve na festa da Força Sindical. O único tucano presente era o deputado José Aníbal, que não pôde discursar.

Maratona

Ainda neste sábado Lula e Dilma cumprirão uma maratona de festas pelo Dia do Trabalho. Depois da Força Sindical eles participarão das festas da Central Única dos Trabalhadores (CUT), no Memorial da América Latina, do 1o de Maio Unificado promovido pelas centrais CGTB, UGT e Nova Central e da festa organizada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo. No total, empresas estatais deram cerca de R$ 2 milhões para as quatro comemorações.

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