Lula: 'Dilma só não disputa reeleição em 2014 se não quiser'

Em palestra no Rio, ex-presidente diz que oposição torce contra governo e diz não ver chance de reforma tributária ampla no País

Valor Online |

No segundo dia de compromissos no Rio de Janeiro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a negar que pretenda disputar a Presidência da República em 2014 e disse que a presidenta Dilma Rousseff só não tentará a reeleição se não quiser. A afirma de Lula foi feita em resposta a uma entrevista em que o ex-governador de São Paulo José Serra , candidato derrotado do PSDB ao Planalto, diz acreditar em uma candidatura do ex-presidente na próxima disputa pelo Palácio do Planalto

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Ex-presidente deu uma palestra na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro
"Só há uma hipótese de Dilma não ser candidata: ela não quiser. O Serra está preocupado é com a candidatura dele próprio e não consegue nem resolver os problemas internos do PSDB", disse Lula em rápida entrevista depois de participar de um seminário na Escola Superior de Guerra (ESG).

Lula estava acompanhado, entre outras autoridades, do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que na semana passada disse ter votado em Serra , de quem é amigo, e não em Dilma na eleição de 2010. Lula defendeu Jobim. "Tem gente que não gosta de mim e votou em mim, tem gente que gosta de mim e não votou. Não se pode fazer política pensando nisso", afirmou Lula.

Torcida contra

Ainda na palestra no Rio, Lula afirmou que a oposição "torce para que a coisa não dê certo" no Brasil. Segundo o ex-presidente, partidos que hoje se opõem ao governo estão "torcendo" para a inflação voltar e o desemprego aumentar. "Esse negócio de que a oposição vai contribuir, não acreditem. A oposição é que nem um jogador que está no banco de reservas. Você pensa que ele é amigo do que está jogando, mas ele está doidinho para o outro se contudir", disse Lula.

Depois da palestra, Lula conversou com jornalistas e ponderou que o papel da oposição é "ficar procurando coisas para falar". "É ótimo que faça crítica. O papel da oposição é esse mesmo", disse.

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Lula e militares, durante a visita à escola no Rio
Reforma tributária

Lula disse não acreditar na possibilidade de se fazer uma reforma tributária geral no País. Segundo ele, a tendência é de que se façam reformas pontuais em assuntos específicos, sem concordância dos Estados. "O inimigo oculto ( da reforma tributária ) do Jânio Quadros está dentro do Congresso Nacional", disse Lula ao lembrar a justificativa do ex-presidente ao renunciar em 1961.

Além disso, Lula ressaltou ter enviado ao Congresso uma proposta de reforma tributária em cada um de seus mandatos. Segundo ele, nenhum dos projetos "andou um milímetro". Lula, que fez palestra na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro, avisou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, considera tornar efetiva a ideia de reformas pontuais, sobretudo para unificação do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) .

De acordo com Lula, a carga tributária não é o único empecilho para a realização de investimentos no país. As restrições ambientais, afirmou, também pesam. "A gente vive em um mundo real diferente e não vemos a realidade brasileira", ponderou. O ex-presidente também criticou o Congresso Nacional ao afirmar que a instituição "aprova lei como que fosse a Suíça".

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