Lula deu as cartas na escolha do novo presidente do PT

Ex-presidente ficou de fora das reuniões do diretório em Brasília, mas comandou cada passo do processo sucessório da legenda

Andréia Sadi, iG Brasília |

As articulações que conduziram o deputado estadual paulista Rui Falcão à presidência do PT começaram cedo na última quinta-feira, na sede do partido, em Brasília. Na reunião da executiva nacional, a única corrente que se opôs a uma solução imediata para o comando partidário com a saída de José Eduardo Dutra foi a Mensagem ao Partido, que abriga nomes como o secretário-geral da sigla, Eloi Pietá, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro. A corrente queria um mandato tampão por mais um mês, antes de definir o novo nome para o comando do partido.

A algumas quadras dali, no entanto, quem dava as cartas no jogo do PT era o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , hospedado em um hotel da capital federal. O ex-presidente já havia manifestado sua preferência pelo nome do líder do partido no Senado, Humberto Costa, também preferido de Dilma para a vaga.

Foi pelas mãos do grupo de Lula, a corrente Construindo um Novo Brasil - a mesma do ex-ministro José Dirceu - que o PT decidiu não prorrogar o problema, uma vez que Costa manifestou que só aceitaria em último caso. Com a recusa do senador, Lula decidiu abrir o leque de opções.

Na reunião na sede do PT, surgiu, então, a opção de colocar Rui Falcão na presidência definitivamente. Coube ao coordenador da CNB, Francisco Rocha, o Rochinha, consultar as autoridades. "Todo mundo sabe no PT que se o chefe não aprovar, não passa. O Rui sabia disso também. Só aceitou porque Lula autorizou e não queria ser um presidente fantoche", disse um interlocutor do deputado estadual.

Lula disse a Rochinha que era melhor resolver o problema imediatamente e que, diante da resistência de Costa, mais valeria aproveitar como opção alguém que estivesse disposto a assumir a tarefa, como Falcão. Rochinha transmitiu o recado aos integrantes da corrente, que aprovaram em seguida o nome do deputado estadual por unanimidade. "Pensamos o seguinte: mesmo que não seja um presidente nosso, Rui é um nome que confiamos e não há outros nomes no momento", disse um membro da CNB.

AE
Com a resistência de Humberto Costa, Rui Falcão passou a ser um nome considerado por Lula
Falcão pertence ao grupo Novo Rumo, que abriga também o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, como membro. A corrente tem tendência regional, com base em alguns Estados, mas principalmente em São Paulo.

Falcão não era a opção da presidenta Dilma Rousseff para a vaga. Assim como Lula, ela preferia ver Humberto Costa no cargo. Ainda assim, a presidenta telefonou para Falcão após ser avisada da escolha do deputado para a sucessão de Dutra. Colocou-se à disposição e disse ao novo presidente da sigla que lhe dará todo o apoio de que precisar .

Lula e Dilma

Depois de amarrar toda a articulação pela sucessão do PT, Lula retornou para São Paulo. Antes disso, foi recebido por Dilma em um jantar no Palácio da Alvorada, residência oficial. A presidenta havia programado uma reunião com a área econômica mas, como estava gripada, acabou substituindo o compromisso pelo encontro privado. Convidou então, além de Lula, o ex-ministro da Secretaria Geral da Presidência Luiz Dulci, a ex-assessora da Presidência Clara Ant e os ministros Antonio Palocci, Guido Mantega, Alexandre Tombini, Gilberto Carvalho e Helena Chagas.

Dilma e Lula conversaram reservadamente durante o jantar. Na parte do encontro que foi aberta aos auxiliares, o fotógrafo do Planalto, Roberto Stuckert Filho, apresentou um vídeo institucional sobre a posse da presidenta. À mesa, os assuntos predominantes foram economia, conjuntura política, com algumas colocações sobre a situação no PT. "Dilma falou mais sobre como tem simpatia por Dutra", contou um dos convidados. 

O jantar, no entanto, não foi o último compromisso de Lula na capital federal. O ex-presidente reuniu-se hoje pela manhã com Palocci, ministro da Casa Civil. Para uma conversa privada. Nem mesmo auxiliares próximos ao ex-presidente souberam dar detalhes sobre o conteúdo da conversa.

*Colaborou Ricardo Galhardo, enviado a Brasília

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