O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propõe comparação dos oito anos dele com os 20 anos de outros governos em todas as áreas

Em discurso de quase 50 minutos, de improviso, em Aracaju (SE), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desafiou adversários e a imprensa a comparar os feitos do seu governo com os anteriores. "Podem escolher o que vocês quiserem: investimento em educação, quilômetro asfaltado, megawatt instalado, podem comparar os oito anos do nosso governo com 20 anos dos outros governos", provocou o presidente, que mais a frente reconheceu que os anteriores não puderam fazer mais, porque o País já estava endividado.

Lula disse que em todos os Estados e municípios, sejam da oposição ou não, o governo fez investimentos e atendeu a todos da mesma forma. "Vá a São Paulo e pergunte ao Kassab (prefeito Gilberto Kassab), que é do DEM, ou ao Serra (José Serra, ex-governador, do PSDB), que é o nosso adversário (na disputa presidencial)", provocou Lula, questionando se algum dia algum prefeito foi tratado antes com mesma dignidade com que é tratado hoje pelo governo federal.

"A gente pode fazer política sem perder o caráter ou vergonha. A política não é um clube de amigos. É uma política civilizada, não é pessoal, não é entre entes federados. Não quero saber se o Deda (governador de Sergipe) gosta de mim, mas se o povo precisa de mim.

Ele voltou a reclamar da imprensa que não divulga dados positivos do País e atribuiu o aumento de sua popularidade às realizações do seu governo e ao crescimento do Brasil. "Este País é que está dando popularidade ao governo. Não é o País dos formadores de opinião pública. Esse País não aparece na imprensa, na TV", afirmou. Segundo ele, o presidente dos Estrados Unidos, Barack Obama cometeu um erro ao achar que ele, Lula, é o cara. "O cara são 190 milhões de brasileiros".

Descanso

Lula disse que ser presidente "é coisa de passagem". "Não é uma profissão, é quase um sacerdócio". E admitiu que embora ainda faltem seis meses de mandato, já está com saudades. "Eu quero acabar meu governo, quero descansar, quero ir à praia, tomar uma cervejinha sem ninguém me enchendo o saco, dizendo: o presidente está bebendo", afirmou. Disse também que vai continuar fazendo política, "porque está no sangue".

Ao falar sobre o conjunto habitacional que estava sendo inaugurando, Lula chegou a falar um palavrão, ao comentar que reclamou à presidente da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, sobre o tamanho das unidades habitacionais. "Eu estava 'P' da vida quando fui visitar uma casa de 38, 39 metros quadrados e chegou a dona da casa e falou para mim. 'Não fica nervoso, eu estou no céu, presidente, isso aqui é um palácio. E eu quero pedir desculpa ao senhor porque nunca votei no senhor, porque achava que o Lula era o demo, tinha barba e era analfabeto'", relatou.

Durante a cerimônia, um pequeno grupo de manifestantes reclamava o direito de moradia em outro bairro da cidade. Com o barulho, Lula quis saber do que se tratava, conversou com eles e se comprometeu a encontrar uma solução em 30 dias.

    Leia tudo sobre: Lula
    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.