Lula critica 'demora' de SP em dar licenças para obras federais

Em evento na Grande SP, o presidente criticou os burocratas de SP e voltou a falar em 'risco de retrocesso' no País

Matheus Pichonelli, iG São Paulo |

Em tom de despedida, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (16), em Diadema (região metropolitana de SP), que o brasileiro aprendeu a ser tratado como “primeira categoria” em seu governo e voltou a falar em risco de retrocesso no País. A menos de três meses das eleições, Lula substituiu o discurso emotivo presente em eventos anteriores ao falar de sua saída do governo e, em tom mais áspero, disse que a “burocracia” no Estado de São Paulo – governado há 16 anos pelo PSDB – atrasa o ritmo das obras do governo federal na região.

Sem citar a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) nem os adversários na disputa eleitoral, o presidente conclamou os prefeitos paulistas a reforçar as críticas “a uma pessoa do Estado” que, segundo ele, demora para conceder as licenças ambientais para projetos para população de baixa renda. O discurso foi feito em evento de entrega de um conjunto habitacionai para famílias da periferia de Diadema.

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O presidente Lula discursa durante a entrega da primeira etapa do projeto de urbanização da antiga Favela Naval, em Diadema, no ABC Paulista
“Não é apenas em Diadema que as licenças não saem. Tem uma pessoa desse Estado, que não sei quem é, que traz dificuldades para a gente fazer as coisas. É importante que os prefeitos façam essa briga. No nível federal, a gente briga muito para liberar as coisas com a agilidade necessária”, disse.

Segundo o presidente, as dificuldades são criadas por um “burocrata que fica com a bunda na cadeira, com ar-condicionado, sentado” e “sem se preocupar com o que o povo está vivendo”.

“Sei que a gente é governo, que tem que ter diplomacia, que tem que ter linguagem adequada, mas estou quase deixando de ser presidente e vou voltar a falar do jeito que sempre falei”, afirmou.

Primeira categoria

Falando a um grupo com cerca de 150 moradores, o presidente afirmou no discurso que ele e a população passaram 500 anos sendo tratados como se fossem “pessoas de terceira ou quarta categoria”, mas que nos últimos anos, “aprendemos que é bom ser de primeira categoria, que é bom morar bem, ganhar bem, tomar café, almoçar, jantar, ir ao cinema, ao teatro, ter acesso à cultura. E não queremos retrocesso neste Pais”.
Mais à frente, Lula afirmou que o Brasil “nunca mais vai ter um governo que tenha coragem de governar sem conversar com o povo”.

“Eu já fiz mais de 70 conferencias nacionais, a última foi a Conferência da Cidade, em que a gente ouve o que a gente quer e o que a gente não quer, e onde companheiros falam a verdade. (...) A gente, como presidente, não tem que ficar ofendido quando alguém fala o que está errado”.

No mesmo discurso, o presidente comemorou os números divulgados nesta semana sobre a criação de 1,4 milhão de empregos no País e disse aos moradores de Diadema que eles só viram a crise financeira internacional, iniciada em 2008, pela televisão. Lula disse também ter vivido na semana passada um dos momentos mais importantes de sua vida ao participar de um evento de entrega simbólica de diploma de medicina a 414 “meninos e meninas” que tiveram acesso à universidade por meio do Prouni e “vão ser doutores, vão estar de jaleco, trabalhando na periferia”.

“Nenhum pobre neste País poderia estudar para medico, só se tivesse a sorte de entrar numa universidade pública. Um curso de medicina custa quase R$ 5 mil. Quem está aqui não pode pagar R$ 5 mil num curso para o filho”.

Falando diretamente à plateia, ele citou números sobre crédito no País –“temos mais créditos em um mês do que no ano todo em 2003” – e exaltou o início da extração de petróleo na camada do pré-sal.
“Tive o prazer de sujar a mão no petróleo, que estava há 160 milhões de anos embaixo de terra e que nós vamos mandar buscar esse petróleo do pré-sal para que a gente possa resolver os problemas desse País”.

Por fim, o presidente disse que quando não for mais presidente, vai poder dizer aos "companheiros" moradores do conjunto habitacional que "tivemos uma relação verdadeira e sincera”. “Criamos uma nova relação entre Estado e sociedade”, disse.

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