Lobista da Agricultura foi marqueteiro de políticos e preso por tráfico

Júlio César Fróes Fialho, pivô de crise no ministério, trabalhou em campanhas e cumpriu pena por tráfico de cocaína

Daniel Aderaldo, iG Ceará |

O lobista Júlio César Fróes Fialho ficou conhecido há uma semana por uma reportagem da revista Veja . O texto revelou que Froés tinha uma sala no Ministério da Agricultura, na área onde funciona a Comissão de Licitação, de onde intermediava negócios suspeitos entre a pasta e empresários. Ao ser confrontado com a história, Fróes bateu no repórter da revista e foi parar em mais um boletim de ocorrência. O primeiro, até onde se sabe, foi registrado em 1992, quando ele foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto de Fortaleza acusado de tráfico de drogas. Carregava meio quilo de cocaína na mala.

Reprodução
Reportagem do jornal O Povo, de 1992, sobre a prisão de Júlio César Fróes Fialho

 Fróes não era um novato na capital do Ceará. Segundo apurou a reportagem do iG , o lobista chegou a Fortaleza em 1989 e logo procurou políticos locais, oferecendo seus serviços. Dizia ter trabalhado na campanha de Mário Covas, candidato derrotado do PSDB à Presidência da República, e que decidira sair de São Paulo porque se encantara por Fortaleza durante a disputa.

Nestas conversas, foi apresentado ao jornalista Tancredo Carvalho. Em 1990, Carvalho arrumou um trabalho para Fróes com o jornalista Arnaldo Santos, então secretário de imprensa de Ciro Gomes. Ciro era prefeito de Fortaleza e estava prestes a deixar o cargo para concorrer, e ganhar, o governo do Ceará pelo PSDB. Mas Fróes não durou muito tempo com Ciro. Depois de três meses no cargo, foi demitido pela prefeitura e montou uma agência de comunicação. A assessoria de imprensa de Ciro diz que ele não se lembra de Fróes.

Depois da prefeitura, ele foi marqueteiro de Vicente Fialho que, apesar do sobrenome, não tem parentesco direto com o Julio Cesar Froes Fialho. Vicente Fialho foi prefeito de São Luís do Maranhão indicado pelo então governador José Sarney, prefeito de Fortaleza de 1971 a 1975, indicado pelo então governador César Cals Neto, ministro de Minas e Energia entre 1989 e 1990, no governo Sarney, e deputado federal pelo Ceará, de 1991 a 1995. Fialho trabalhou na campanha de Vicente Fialho a deputado. A trajetória de marqueteiro foi interrompida em 1992, quando ele foi preso por tráfico e transferido para o presídio de Contagem, em Minas Gerais, onde cumpriu pena por três anos. A prisão marcou o fim da sua trajetória no Ceará.

Pela investigação da época, Fróes fazia parte de uma quadrilha que era formada, principalmente, por pessoas de Brasília. O advogado Neuzemar Gomes Moraes, que cuidou do caso, conta que Julio Froes era conhecido na época como Cesar Fialho, seus dois nomes do meio, e era viciado em cocaína. Ele conseguiu reduzir sua pena porque se valeu da delação premiada. Para cumprir a pena de três anos, foi transferido para Minas Gerais, Estado onde têm família.

Dez anos depois de ser preso, ligou para Moraes. “Ele disse que estava bem, trabalhando na Câmara Federal para um deputado de Rondônia, não lembro o nome do deputado”, diz o advogado. “Fazia sentido, já que o pai dele é advogado e mora em Brasília”, conclui.Três anos depois de ser preso por tráfico de drogas, Fróes tinha deixado de ser marqueteiro no Ceará para começar uma nova vida nos corredores de Brasília.

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