"Lista de cargos já está amarelando", diz líder do PMDB

Parlamentares da base aliada tiveram nomeações emperradas quando Palocci comandava Casa Civil e insistem agora com Ideli e Gleisi

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O líder da bancada do PMDB da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), resumiu desta forma como estão as pendências do governo em relação aos pedidos de cargos do partido: “Os papéis com a lista de pedidos já estão amarelando lá (no Palácio do Planalto)”.

Eduardo Alves conversou com o iG por telefone na noite de ontem, após o encontro com a ministra da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), Ideli Salvatti. Ele confirmou que a maior parte dos pedidos citados pela ministra ontem já foi feita há meses à presidenta Dilma Rousseff, por isso os papéis teriam "envelhecido" com esse tempo.

As indicações, porém, haviam parado na Casa Civil, então gerida por Antonio Palocci, que concentrava essa articulação política no governo de Dilma Rousseff. Além dos parlamentares, também ministérios reclamavam que cargos já resolvidos, ainda não tinham a chancela do "Diário Oficial da União".

Palocci acabou demitido depois da revelação de que seu patrimônio disparou em poucos anos e agora a posição de interlocução e negociação de cargos é assumida por Ideli.

iG revelou nomes e negociações

Antes da crise de Palocci, porém, as nomeações já demoravam a sair, reclamam os parlamentares do PMDB. Algumas nomeações ocorreram a conta-gotas a partir da aprovação do aumento do salário mínimo de R$ 545 em fevereiro, mas foi pouco, informam. O iG publicou reportagem com parte da lista de nomeações no fim daquele mês.

Poucos dias antes da demissão de Palocci, o PMDB chegou a declarar apoio a ao ex-ministro. A condição era a nomeação de cerca de 50 cargos. A negociação também foi revelada pelo iG em maio . Esse acordo, porém, não se sustentou, porque a presidenta decidiu pedir o cargo de Palocci independentemente do apoio, e entregá-lo a Gleisi Hoffmann, então senadora petista pelo Paraná.

Agora, com Ideli na SRI e Gleisi na Casa Civil, as negociações foram retomadas, com a primeira à frente dos contatos com o Congresso, mas a segunda mantendo as relações que tinha no período em que foi senadora. Na mesa de discussões, o número de cerca de 50 cargos voltou à tona. O jornal "O Estado de S. Paulo" publicou ontem que seriam precisamente 48.

Em entrevista coletiva antes da conversa com o PMDB, também ontem, Ideli assumiu que o número era superior a 40, mas chegou a dizer que não daria para atender todos os pedidos e, portanto, poderia haver frustrações .

Oficialmente, o PMDB nega ter citado o total de cargos na reunião com Ideli no começo da noite dessa terça-feira. “Não tratamos disso em detalhes”, afirmou o líder do PMDB do Senado, Renan Calheiros (AL).

Líder do governo é posto mais relevante

No topo da lista de pedidos, está o posto de líder do governo no Congresso. Nesse caso, as bancadas da Câmara e do Senado dizem ter candidatos diferentes. “Nós sugerimos o nome do deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS)”, disse o deputado Henrique Eduardo Alves.

Já o PMDB do Senado desde sempre defendeu a indicação do senador Eduardo Braga (AM). Em 24 de fevereiro deste ano, o iG mostrou que o nome do ex-governador do Amazonas constava na lista de pedidos do partido .

Parte dos cargos pedidos pelo PMDB depende de apreciação do ministro Guido Mantega (Fazenda), porque estão diretamente subordinados à área econômica.  Recentemente foram nomeados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) na diretoria de Pessoa Jurídica na Caixa e Orlando Pessuti no Conselho de Administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social.

Os peemedebistas, porém, insistem em ter mais uma vice-presidência no Banco do Brasil, três diretorias no Banco do Nordeste e outras duas cadeiras na Caixa, que respondem por Loterias e Crédito.

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