Líderes do PSDB consideram precipitada dianteira de Aécio

Comando tucano no Congresso não aceita tese de FHC de que candidatura presidencial de senador mineiro está à frente de Serra

Fred Raposo e Ana Paula Leitão, iG Brasília |

Diferentemente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, os líderes tucanos no Congresso não aceitam dizer que o senador mineiro Aécio Neves esteja melhor colocado do que o paulista José Serra na disputa pela vaga de candidato do PSDB a presidente da República. Em entrevista ao iG, FHC disse que Aécio “tem hoje uma posição de vantagem” sobre Serra.

Agência Brasil
O líder tucano Alvaro Dias

Na entrevista, no entanto, o próprio Fernando Henrique admitiu que essa discussão é precipitada. Para o senador Álvaro Dias (PR), qualquer antecipação “expõe desnecessariamente” a legenda. “Estamos muito longe de 2014 e a política muito dinâmica. Esta análise despreza outros nomes, pode comprometer o projeto”, afirma o líder do PSDB no Senado.

 O líder tucano na Câmara, deputado Duarte Nogueira (SP), concorda quando FHC diz que o mandato de Aécio no Senado traz visibilidade e que Serra é mais conhecido nacionalmente. “Seja quem for o candidato escolhido pelas lideranças, passa por unidade partidária do PSDB como partido de convergência da oposição”, assinala Duarte. “Mas o que está na agenda é a estratégia para as eleições municipais de 2012”.

Ao iG , FHC admitiu que teve um papel importante na escolha de Serra como candidato de oposição. Na verdade, a grande crítica dentro do partido, na época, foi ao fato de a escolha do candidato ter sido feita pela cúpula tucana.

Para 2014, Álvaro Dias propõe que sejam realizadas eleições primárias no partido para a escolha do candidato. “Defendo as primárias com envolvimento da militância partidária, que seria convocada não só para avalizar o nome, mas também para se tornar artífice de todo o processo eleitoral”.

Ao contrário de FHC, que defende o foco do partido no eleitorado de classe média, Dias propõe que o alvo do PSDB seja as classes C e D. “O que o ex-presidente advoga é o discurso mais competente. Mas já tivemos uma votação expressiva na classe média. O difícil é alcançar as classes C e D, em função do aparelhamento e da propaganda indireta do governo”.

PT concorda com FHC sobre Serra

No PT, o ex-presidente Fernando Henrique conquistou adesão a um ponto polêmico da discussão no ninho tucano: Se José Serra deve ou não ser candidato a prefeito de São Paulo. Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), o ex-presidente tucano tem razão quando diz que o Serra terá de escolher entre disputar a prefeitura de São Paulo ou a presidência da República.

“O raciocínio dele tem coerência. Se a aspiração do Serra é ser candidato à presidência, é melhor ele andar pelo Brasil, se não perde o lugar na fila. Na prefeitura de São Paulo, ele ficaria fora da cena nacional”, avalia Costa.

Já outro petista, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), provoca: “O FHC na verdade deve estar contra o Serra ser candidato à Prefeitura de São Paulo. Parte do PSDB resolveu fritar o Serra. Estão impedindo ele até de dirigir um instituto do partido.”

Segundo Vaccarezza, o fato os tucanos estão se precipitando em discutir a corrida presidencial de 2014. “Muitas águas ainda vão rolar debaixo da ponte”, pondera. Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa, a afirmação de FHC de que o partido precisa capturar o eleitorado da nova classe média é demonstração de que o partido ainda não encontrou um eixo.

“É uma prova de que a oposição hoje não tem um projeto político para o Brasil. Eles tentam disputar conosco um perfil mais desenvolvimentista e de projetos sociais. Mas continuam sem discurso, o que tem nos facilitado muito a vida, expondo menos as nossas falhas”, afirmou o petista. 

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