Lideranças falam em suspender votação do Orçamento

Cresce pressão sobre o relator Gim Argello, suspeito de favorecer instituições fantasmas

Agência Estado |

Do PT ao DEM, passando pelo PSDB, as lideranças políticas da oposição e da base aliada governista defenderam hoje que o processo de tramitação e votação do Orçamento Geral da União de 2011 seja suspenso até que se decida o que fazer com o relator, o senador Gim Argello (PTB-DF), suspeito de usar suas emendas para favorecer institutos e empresas fantasmas. Titular da Comissão Mista do Orçamento, o deputado Virgílio Guimarães (PT-MG) defendeu o adiamento da votação do Orçamento para o ano que vem e a indicação de um novo relator no lugar de Argello.

Guimarães lembrou que o senador já merecera uma "atenção especialíssima" quando chegou ao Congresso sem votos e como suplente de Joaquim Roriz, que renunciou. Foi por isso, disse o deputado petista, que a comissão rejeitou a emenda que permitiria ao relator Gim Argello apresentar emenda corretiva para obras relacionada à Copa do Mundo. "Ficou acertado no relatório preliminar que toda a comissão tem de se manifestar nesses casos, e não apenas o relator", lembrou.

Da tribuna do Senado, Alvaro Dias (PSDB-PR) voltou a defender a extinção da Comissão Mista do Orçamento. Ele lembrou que desde a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Anões, em 1993, o colegiado está sob permanente suspeita. "Termina um ano, começa outro e os mesmos problemas se repetem. Há uma reincidência de desvios denunciados pela comissão", disse.

Dias acredita que as medidas relacionadas ao orçamento teriam muito mais credibilidade se tramitassem pelas comissões técnicas das Casas do Congresso. "Com isso, reduziríamos o poder atual dos lobistas e o espaço para a corrupção", justificou. O plenário do Senado chegou a criar a expectativa de que Argello fizesse um discurso justificando a remessa de emendas para empresas e institutos fantasmas. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse ter pedido que ele desse explicações, mas Argello não apareceu no plenário.

Para o líder do DEM na Câmara, deputado Paulo Bornhausen (SC), o relator da comissão e os responsáveis pela sua indicação têm de dar satisfação à sociedade o quanto antes. "Lamento termos de volta uma novela que ninguém quer ver de novo", afirmou, referindo-se aos desvios de dinheiro público identificado pela CPI dos Anões.

Segundo-presidente da comissão, o deputado Eduardo Sciarra (DEM-PR), defendeu a investigação "a fundo das denúncias". "Não dá para aliviar em nada", alegou, opondo-se à ideia de adiar a votação do orçamento para o ano que vem. "A comissão é um colegiado e nós devemos votar, o que vai aumentar é a vigilância em cima do relator porque ele está sob suspeita", justificou.

Já o presidente da comissão, deputado Waldemir Moka (PMDB-MS) e o líder do PSDB, deputado João Almeida (BA), afirmam que ainda estão avaliando a denúncia. Por meio de sua assessoria, Moka disse que, enquanto aguarda os desdobramentos, tem conversado com membros da comissão e que, até que cheguem a uma decisão, as votações serão mantidas da comissão.

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