Liderado por uma mulher, Palácio do Planalto terá de mudar rotina

Cerimonial e até equipe de ajudantes de ordem terão de passar por reformulações para atender à presidenta eleita Dilma Rousseff

Daniela Almeida, iG São Paulo, e Andréia Sadi, enviada a Seul |

Assim que Dilma Rousseff assumir a Presidência da República, as mudanças na rotina do Palácio do Planalto serão muitas. O protocolo a ser adotado em eventos, viagens nacionais e internacionais terá de ser adequado ao fato de a chefe de Estado do Brasil ser mulher e solteira. E se o reforço feminino no time que cercará Dilma é um desejo no que se refere à montagem do ministério, a equipe de ajudantes de ordens e seguranças será obrigatoriamente formada por mulheres.

Em eventos internacionais, por exemplo, o fato de Dilma não ser casada muda toda a organização das recepções. Isso porque, quando um chefe de Estado visita um País, há duas programações: uma destinada ao presidente (ou presidenta) e outra ao cônjuge.

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Dilma em Brasília, logo após resultado das eleições
Como não levará acompanhante, Dilma será recebida apenas pelo presidente do país em que estiver, em vez de ser recepcionada pelo chefe de Estado e a primeira-dama. “Ela não ter acompanhante complica, porque não tem ninguém para ajudar a ser recebido. É uma questão de equilíbrio e de não deixar ninguém em uma saia justa”, explica um diplomata do Cerimonial brasileiro.

Mas, de acordo com integrantes da área responsável por preparar eventos oficiais, além de viagens nacionais e internacionais, nada impede que Dilma vá a jantares oferecidos pelas autoridades estrangeiras. “Ela pode ir sozinha. Basta preparar uma cabeceira de mesa com três pessoas e não quatro.”

Pelo fato de ser mulher, a presidenta poderá ainda enfrentar pequenas dificuldades em nações como o Irã e a Arábia Saudita, onde os códigos religiosos locais impõem restrições a vestimentas femininas. Ela provavelmente terá de adotar roupas ainda mais sóbrias e fechadas.

Quando Lula visitou estas regiões, a primeira-dama Marisa Letícia, apesar de não precisar adotar o véu usado pelas mulheres nos países árabes, teve de cobrir a cabeça. Ela não podia estar com o cabelo de fora. Braços e pernas de fora também são proibidos.

Equipe de batom

A equipe que cercará Dilma vai ganhar reforço feminino. Os ajudantes de ordens – responsáveis por providenciar qualquer coisa de que ela precise e por acompanhar a presidenta 24 horas por dia – será formada por quatro mulheres, duas oficiais da Marinha (uma que atuará na coordenação), uma do Exército e uma da Aeronáutica, como é de costume.

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Eleição vai demandar várias mudanças no protocolo em viagens internacionais
São elas que vão carregar o chamado kit sobrevivência de Dilma, com toalha, remédios, água e o que mais for preciso. Elas cuidarão ainda da roupa da presidenta, organizarão seu quarto em viagens, antes da chegada da chefe de Estado, e receberão presentes inusitados de simpatizantes. A equipe se reveza. Nas viagens são dois a serviço da presidenta. Um ajudante segue viagem antes para preparar quarto e cuidar da burocracia de documentos e informações. Outro acompanha o presidente.

Na segurança presidencial, sempre há oficiais mulheres, mas esse contingente também deverá aumentar. Segundo funcionários do Palácio, já está aberto o processo de seleção de uma segurança feminina para estar sempre ao lado de Dilma. “É preciso uma mulher para vistoriar, por exemplo, o banheiro que a presidenta for usar, ou para poder entrar em qualquer lugar em uma situação de perigo.”

Atualmente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também conta com uma equipe de quatro auxiliares, todos homens, que o acompanham diariamente e em viagens, e são responsáveis por cuidar de detalhes pessoais do chefe de Estado - desde carregar a mala até receber presentes inusitadosde simpatizantes. "O presidente Lula já recebeu até prancha de surfe. Já perdi as contas", conta um ajudante do presidente.

Toque feminino

Responsável pela organização e conferência do quarto de Dilma em situações de viagem dentro e fora do País, os integrantes do cerimonial brasileiro precisarão ter agora um olhar feminino para a questão. Se a preocupação antes era garantir sempre uma antesala separada do quarto para recepcionar pessoas, cuidados com itens como secador passam a fazer parte do check list dos servidores.

“Não vai ser a mesma avaliação. Depende muito do gosto pessoal do presidente, na verdade”, avalia um integrante do gabinete cerimonialista. O presidente Lula, por exemplo, não passa sem um café expresso, é super vaidoso com suas roupas e segue uma alimentação recomendada pelo médico da Presidência. Os preparativos, no caso de Dilma, deverão ser feitos de acordo com a preferência da presidenta. 

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