Líder tucano aponta repasses ilegais à Força Sindical

Documentos mostram “doações” de sindicalista à central, controlada pelo PDT, em troca de regularização de entidade

Fred Raposo, iG Brasília |

Reprodução
Um dos termos de compromisso de doação à Força Sindical, assinado pelo sindicalista João Carlos Cortez
O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), apresentou esta segunda-feira documentos que apontam suposto esquema de extorsão de sindicatos montado dentro do Ministério do Trabalho. A documentação se refere a três termos de “compromisso de doação”, assinados pelo sindicalista João Carlos Cortez.

Nos documentos, que datam de agosto de 2007, Cortez se compromete a “doar” à Força Sindical, ligada ao PDT, 60% do imposto sindical em troca da regularização pelo ministério de sua entidade, o Sindicato de Trabalhadores em Bares e Restaurantes da Baixada Santista, Litoral Sul e Vale do Ribeira (Sindrest).

Os pagamentos se dariam em três parcelas, com percentuais decrescentes. O primeiro pagamento, de 30%, aconteceria em 2008. O segundo, de 20%, em 2009. E o terceiro, de 10%, no ano passado. No início do mês, Cortez disse à revista Isto É que os repasses seriam, na verdade, propina desviada de arrecadações do imposto sindical.

“Esta é a prova documental do pagamento ilegal que as entidades fazem para obter o registro da carta sindical”, afirmou Alvaro Dias. O líder tucano acrescentou que os termos de compromisso, que teriam sido registrados em cartório de São Vicente, em São Paulo, foram enviados a ele por Cortez.

O iG deixou recado no celular do deputado Paulinho da Força (PDT-SP) – apontado por Cortez como o mediador do encontro no ministério, em 2007, onde teriam sido acertados os detalhes dos repasses –, mas até a publicação dessa reportagem não obteve retorno. Procurada às 19h30, a assessoria de imprensa do ministério disse que não teria ninguém disponível para comentar o assunto.

Em outubro, o iG revelou a existência de um esquema de desvios no ministério baseado em contratos com Organizações Não-Governamentais (ONGs) ligadas ao PDT, semelhante ao que derrubou o ministro do Esporte, Orlando Silva. Há duas semanas, a revista Veja publicou que Lupi viajou em avião cedido por uma ONG. O ministro nega, no entanto, que tenha cometido qualquer irregularidade.

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