Ao iG, Paulo Teixeira (PT-SP) afirma que distribuição de cargos em comissões evitará disputa por cargo de presidente

Novo líder do PT na Câmara, o deputado Paulo Teixeira (SP), 49 anos, afirmou em entrevista ao iG que a distribuição de cargos em comissões temáticas será usada para construir a candidatura única de Marco Maia (PT-RS) à Presidência da Câmara. “Vamos distribuir o poder na Câmara de uma maneira equilibrada para que todos se sintam representados em postos de poder. Desse modo, vamos evitar qualquer sentido de disputa”, disse em entrevista por telefone.

Marco Maia foi escolhido candidato depois de uma disputa dentro da bancada do PT. Ele não era apontado como favorito, já que a cúpula do partido e o Palácio do Planalto já haviam acertado a indicação do deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP).

A disputa dentro do PT abriu brecha para o lançamento de candidaturas alternativas dentro da base aliada. O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) lidera um movimento para viabilizar um nome contra Maia. O próprio Aldo é apontado opção mais forte para essa função.

Teixeira afirma que Maia tem o apoio da oposição (PSDB e DEM). Ele conta também como deverá comandar a bancada do PT, a maior da Casa a partir de fevereiro. O novo líder diz que as prioridades são a reforma política e a segurança pública.

iG - Como será sua gestão à frente da bancada do PT?
Paulo Teixeira - Será intensa. Vamos trabalhar para fazer a discussão dos grandes temas da sociedade. Como maior bancada, nós temos grande responsabilidade. E, claro, vamos dar sustentabilidade ao governo da presidenta Dilma.

iG – E quais são os grandes temas?
Teixeira – Sem dúvida alguma, a reforma política e a melhoria de segurança.

iG – Mas já existe uma proposta definida de reforma política?
Teixeira – Precisamos ter como foco três pilares: financiamento público, o fim das coligações proporcionais e o incentivo ao voto partidário. Além disso, precisamos intensificar os mecanismos de democracia direta, o referendo e o plebiscito por exemplo.

 iG – O senhor não concorda que há muitas dificuldades? Não há pontos divergentes em todos os partidos e bancadas?
Teixeira – Pelo menos dentro do PT, a ideia principal é acabar com o financiamento privado de campanha que gera uma grande corrupção no Estado brasileiro.

iG – E em relação às propostas de segurança pública?
Teixeira – Na área de segurança pública, há a questão da lavagem de dinheiro. Precisamos encontrar mecanismos para a investigação. Hoje grande parte do sistema penal e judicial pega a ponta. Não pega o meio, que financia. Que é o crime organizado.

iG – Mas o que é preciso ser feito então?
Teixeira – Precisamos aperfeiçoar a legislação para dar mecanismos mais efetivos ao Estado de combate ao crime organizado. Há uma série de projetos tramitando que nós precisamos nos dedicar.

iG – E nas outras áreas?
Teixeira – Temos o Plano Nacional de Cultura e o Plano Nacional de Educação. Haverá ainda um grande debate sobre as questões urbanas, que é o envio ao Congresso do Minha Casa, Minha Vida 2.

iG – O episódio da escolha do Marco Maia como candidato a presidente da Câmara provou que a bancada do PT nem sempre é uma bancada dócil, que acata as decisões sem questionar. Como o senhor pretende lidar com isso?
Teixeira – Eu pretendo criar uma dinâmica de debate político na bancada por meio de comissões, coordenação por área e reuniões periódicas. Vamos tentar fazer um planejamento que antecipe os temas e já coloque a bancada para trabalhá-los. Nós queremos entrar em 2011 já aquecidos.

iG – Setores do PT sempre reclamaram da falta de espaço em relação ao grupo majoritário chamado Construindo Um Novo Brasil.
Teixeira – Eu acho que a bancada precisa promover o debate político e a valorização dos mandatos. Gostaria de corrigir o que perguntou sobre a escolha do Marco Maia. Não havia definição de governo em relação à escolha do presidente da Câmara. A presidenta Dilma Rousseff e o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, nunca nos disseram que havia um candidato apoio pelo Palácio do Planalto. Então no caso do candidato a presidente da Câmara, a bancada teve total liberdade para escolher. A bancada do PT é muito solidária ao governo. É mais solidária do governo que tem na Câmara.

iG – Mas o senhor não acha que houve um momento que as coisas estavam concentradas demais?
Teixeira – Oito anos do nosso governo fizeram com que essa bancada passasse por todos os problemas possíveis. A crise de 2005 (mensalão), o segundo mandato do governo e as CPIs. Então eu creio que a bancada está mais madura.

iG – O senhor acha possível a construção de um consenso para fazer Marco Maia presidente da Câmara?
Teixeira – O PT já está unido. Os grandes partidos também já declaram apoio ao Marco Maia, o PMDB, PSDB e o DEM. Agora nós precisamos fazer um trabalho de convencimento do PC do B, PDT e PSB.

iG – A distribuição dos cargos de presidente da comissão podem ajudar nesse sentido?
Teixeira – Vamos distribuir o poder na Câmara de uma maneira equilibrada para que todos se sintam representados em postos. Desse modo, vamos evitar qualquer sentido de disputa. A disputa só ocorre quando o político que vai perder poder, espaço. Não é esse o ânimo que nós estamos sentindo na Câmara.

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