Líder do PMDB mina própria candidatura ao comando da Câmara

Estratégias erradas para manter cargos e declarações polêmicas causam danos na imagem de Alves junto ao Planalto

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Agência Brasil
Líder do PMDB, Henrique Alves
Os últimos movimentos políticos do líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), colocaram em risco seu projeto de chegar à Presidência da Câmara em 2013. Nos bastidores, ministros do governo Dilma Rousseff e setores do PT e do PSB já articulam um plano B para evitar que Alves comande a Casa daqui a um ano.

As opções seriam um candidato do PMDB mais alinhado com o Planalto, um petista ou até mesmo um socialista, principalmente se o PSD formar um bloco com o PSB.

O mais recente choque entre o Palácio do Planalto e Eduardo Alves ocorreu na decisão de demitir o diretor-geral do Departamento Nacional de Obras contra a Secas (Dnocs) . No entanto, desde o ano passado, ministros próximos à Dilma reclamam da postura “ingovernável” e, às vezes, até “desastrada” do líder do PMDB.

Oficialmente, o PT nega planejar um candidato contra Alves em 2013. Ainda em 2010, petistas e peemedebistas fizeram um acordo para comandar a Casa em biênio. Entre 2011 e 2012, a vez foi dos petistas, com Marco Maia (PT-RS). A partir de 2013 até fevereiro de 2015, a vez seria de Alves. “Vamos manter o acordo”, afirma o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

O PMDB torce, mas sabe que pode ser traído. Lideranças acreditam que o jogo pode mudar após as eleições municipais marcadas para outubro de 2012. Essas mesmas lideranças avaliam que a perda de poder do PMDB é uma estratégia do Planalto para fazer com que o partido chegue mais fraco no pleito e não ajude seus prefeitos e vereadores.

Atualmente, o PMDB é o partido com maior número de prefeituras no País. Em 2008, conquistou 1201 prefeituras contra 559, do PT. Ou seja, petistas comandam apenas metade do total de prefeituras que detêm os peemedebistas. Em segundo lugar, aparece o PSDB, que perdeu prefeituras para o PSD e deve se enfraquecer ainda mais em 2012.

Com isso, a disputa deve se concentrar entre PT e PMDB. O maior exemplo é a cidade de São Paulo. O ex-ministro Fernando Haddad (PT) e o deputado federal Gabriel Chalita (PMDB) aparecem como favoritos. Em Belo Horizonte, peemedebistas e petistas também estão em lados opostos. No Rio, porém, o PT vai apoiar a reeleição de Eduardo Paes (PMDB).

“É natural que os grandes partidos disputem entre si. Todos vão querer chegar fortalecidos para a eleição em 2014”, afirma o deputado Danilo Forte (PMDB-CE), que tenta concorrer à prefeitura de Fortaleza. Na capital cearense, a prefeita Luizianne Lins (PT) prepara um sucessor entre cinco opções de alas diferentes do partido.

Sobre a candidatura de Alves à Presidência, Forte disse acredita que o deputado é melhor do PMDB. “São 11 anos de mandato. É o mais preparado para o posto”, diz o deputado cearense. Porém, dentro da própria bancada, Alves tem adversários. Sobretudo críticos da sua atuação, ora subserviente ora agressiva demais ao Palácio do Planalto.

Uma crítica frequente é proximidade entre ele e o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que Dilma resolveu cortar relações logo no começo do governo dela. Fevereiro de 2011, ela determinou a demissão do então presidente de Furnas, Carlos Nadalutti Filho, que havia sido indicado por Cunha. Alves pressionou para mantê-lo, mas foi derrotado.

Durante o episódio, Alves se desgastou com o Planalto e com parte da bancada, que não viu o deputado defender outros interesses do grupo. “Todo mundo já está cansado de dizer par ao Henrique se afastar do Eduardo Cunha. Ele também sabe disso, mas parece que não consegue”, avalia um peemedebista.O grande aliado de Alves é o vice-presidente Michel Temer, que está licenciado do comando do PMDB nacional. Contudo, Temer criticou duramente a atuação do líder do PMDB no episódio do Dnosc. O vice-presidente pediu para que ele recuasse. Foi o que Alves mesmo, mas pode ter sido tarde demais. 

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