Alves quer manter Eduardo Cunha como relator de novo código de processo civil e se enfraquece para disputar Câmara

Os deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
Futura Press
Os deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ)
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), decidiu que irá manter a indicação do colega Eduardo Cunha (RJ) para relator da Comissão Especial do Novo Código de Processo Civil apesar das pressões de 35 dos 79 deputados do seu partido. Nem mesmo a reunião realizada ontem com o vice-presidente da República, Michel Temer, serviu para demovê-lo da ideia. Com isso, ele coloca em risco sua candidatura à Presidência da Câmara em 2013.

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Alves já tem como adversária a deputada e colega de bancada Rose Freitas (ES), atual primeira vice-presidente da Câmara. Ontem ela resolveu bater de frente como o líder peemedebista ao defender publicamente a demissão do ministro Pedro Novais do Turismo, pasta que foi alvo de uma operação da Polícia Federal que mostrou um esquema de corrupção envolvendo nomes do PT e do PMDB.

Novais foi uma indicação do líder do PMDB. Ele ficou irritado com as declarações de Rose. “A deputada desrespeitou um colega (Novais) que tem sete mandatos na Câmara. Não existe ( no inquérito da Polícia Federal ) nenhuma referência a ele”, disse o líder do PMDB. “Portanto não há sentido para ele deixar a pasta. Só quem pode demiti-lo é a presidenta Dilma Rousseff ”, afirmou Alves, ao participar da posse de Mendes Ribeiro como ministro da Agricultura.

O líder do PMDB tentou minimizar a rebelião dentro da sua bancada. “Nunca existiu rebelião no PMDB. Isso é um grupo de insatisfeitos”, disse. Sobre a criticada indicação de Eduardo Cunha, Alves manteve o nome do colega. “Ele (Cunha) me pediu essa relatoria em fevereiro deste ano. Até a semana passada, ninguém da bancada havia dito que gostaria também de ser relator”, afirmou o líder.

A pedido de Temer, Alves tenta apresentar uma solução para o impasse. Ele teve ideia de criar uma "comissão de notáveis" para a apreciar o projeto de novo código de processo civil. "Nesse caso, teríamos relatores para quatro áreas específicas", afirmou. No entanto, apesar da divisão, o relatoria final do projeto caberá ao deputado Eduardo Cunha.

Segundo o iG apurou, apesar de Temer de recebido o grupo de rebeldes ontem, o vice-presidente decidiu não interferir mais na disputa da Câmara. Depois de ter feito críticas abertamente a Cunha e Alves, o deputado Danilo Forte (PMDB-CE) afirmou que o líder do PMDB irá colocar em prática "um novo ajuste de conduta" na bancada. Alves disse que fará menos reuniões individuais com deputados.

Além das críticas do PMDB à indicação de Eduardo Cunha, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou moção solicitando a sua substituição por um deputado com formação jurídica. O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, disse que "não era nada pessoal" contra Cunha. "Há ótimos nomes na frente parlamentar dos advogados".

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