Líder do PMDB insiste em Cunha e põe em risco candidatura futura

Alves quer manter Eduardo Cunha como relator de novo código de processo civil e se enfraquece para disputar Câmara

Adriano Ceolin, iG Brasília | 23/08/2011 13:22

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Foto: Futura Press Ampliar

Os deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), decidiu que irá manter a indicação do colega Eduardo Cunha (RJ) para relator da Comissão Especial do Novo Código de Processo Civil apesar das pressões de 35 dos 79 deputados do seu partido. Nem mesmo a reunião realizada ontem com o vice-presidente da República, Michel Temer, serviu para demovê-lo da ideia. Com isso, ele coloca em risco sua candidatura à Presidência da Câmara em 2013.

Leia também: Novo clero é a tropa de choque do governo no Congresso

Alves já tem como adversária a deputada e colega de bancada Rose Freitas (ES), atual primeira vice-presidente da Câmara. Ontem ela resolveu bater de frente como o líder peemedebista ao defender publicamente a demissão do ministro Pedro Novais do Turismo, pasta que foi alvo de uma operação da Polícia Federal que mostrou um esquema de corrupção envolvendo nomes do PT e do PMDB.

Novais foi uma indicação do líder do PMDB. Ele ficou irritado com as declarações de Rose. “A deputada desrespeitou um colega (Novais) que tem sete mandatos na Câmara. Não existe (no inquérito da Polícia Federal) nenhuma referência a ele”, disse o líder do PMDB. “Portanto não há sentido para ele deixar a pasta. Só quem pode demiti-lo é a presidenta Dilma Rousseff”, afirmou Alves, ao participar da posse de Mendes Ribeiro como ministro da Agricultura.

O líder do PMDB tentou minimizar a rebelião dentro da sua bancada. “Nunca existiu rebelião no PMDB. Isso é um grupo de insatisfeitos”, disse. Sobre a criticada indicação de Eduardo Cunha, Alves manteve o nome do colega. “Ele (Cunha) me pediu essa relatoria em fevereiro deste ano. Até a semana passada, ninguém da bancada havia dito que gostaria também de ser relator”, afirmou o líder.

A pedido de Temer, Alves tenta apresentar uma solução para o impasse. Ele teve ideia de criar uma "comissão de notáveis" para a apreciar o projeto de novo código de processo civil. "Nesse caso, teríamos relatores para quatro áreas específicas", afirmou. No entanto, apesar da divisão, o relatoria final do projeto caberá ao deputado Eduardo Cunha.

Segundo o iG apurou, apesar de Temer de recebido o grupo de rebeldes ontem, o vice-presidente decidiu não interferir mais na disputa da Câmara. Depois de ter feito críticas abertamente a Cunha e Alves, o deputado Danilo Forte (PMDB-CE) afirmou que o líder do PMDB irá colocar em prática "um novo ajuste de conduta" na bancada. Alves disse que fará menos reuniões individuais com deputados.

Além das críticas do PMDB à indicação de Eduardo Cunha, o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou moção solicitando a sua substituição por um deputado com formação jurídica. O presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, disse que "não era nada pessoal" contra Cunha. "Há ótimos nomes na frente parlamentar dos advogados".

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