Kit contra homofobia vira moeda de troca no caso Palocci

Garotinho diz que bancada evangélica usou crise para pressionar governo e leva Planalto a negar política do 'toma lá dá cá'

iG São Paulo |

O kit produzido para combater a homofobia nas escolas foi parar no interior da crise que se formou em torno do ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. A polêmica começou a tomar forma após o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) confirmar que a preocupação do governo com o risco de Palocci ser convocado a prestar esclarecimentos no Congresso foi usada pelas bancadas religiosas para cobrar a suspensão da distrbuição do material.

As afirmações do deputado levaram o Palácio do Planalto a negar que o kit tenha sido usado como ferramenta para blindar o chefe da Casa Civil, que virou alvo de polêmica por ter multiplicado seu patrimônio por 20 nos últimos anos. "Não tem toma lá dá cá", afirmou ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

Carvalho disse que Dilma decidiu suspender a distribuição do material por considerar que o conteúdo era impróprio. Ficou acertado, segundo ele, que os ministros da Educação, Fernando Haddad, e da Saúde, Alexandre Padilha, seriam chamados para conversar sobre o assunto. "A presidenta assistiu ao vídeo, não gostou e vai conversar com os ministros", disse Carvalho.

O ministro negou que a ação do Planalto tenha motivado a decisão das bancadas religiosas de manter o apoio a Palocci diante dos requerimentos apresentados pela oposição para convocá-lo no Congresso. "Nós oferecemos o diálogo. Eles que tomassem a atitude que achassem consequente. Foram eles que decidiram suspender aquela história de que estavam falando ( de convocar o Palocci ao Congresso )", reagiu.

No entanto, ao deixarem uma reunião com o ministro no Palácio do Planalto, parlamentares avisaram que não iriam mais apoiar a convocação do ministro da Casa Civil, pelo atendimento do pleito sobre o corte na divulgação do material sobre homofobia.

Polêmica

Nesta quarta-feira, Garotinho afirmou que liderou ontem uma reunião dos evangélicos que resultou em três decisões - colaborar para que o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, fosse convocado para depor sobre sua evolução patrimonial; obstruir as votações na Câmara dos Deputados e apresentar o pedido de uma Comissão Parlamentar de Inquérito  para apurar a contratação de organizações não governamentais pelo Ministério da Educação (MEC).

De acordo com ele, a CPI já tinha até nome escolhido. "Seria a CPI do MEC", disse o deputado, ao sair da reunião com Gilberto Carvalho. Garotinho disse que o encontro no Planalto foi convocado a pedido do  próprio Gilberto Carvalho. "O ministro nos telefonou e pediu que fizéssemos uma intervenção com as bancadas católica e evangélica para que não levássemos adiante o que deliberamos", disse Garotinho.

Ao final da reunião, o líder da bancada do PR na Câmara, Lincoln Portela, disse que, diante da posição do governo de suspender a produção do “kit homofobia” e de consultar os religiosos sobre os materiais a serem produzidos, os evangélicos seguirão dando apoio às questões do governo na Câmara. "Todas as decisões que tínhamos tomado ontem na reunião estão suspensas com o compromisso que o ministro ( Gilberto Carvalho ) assumiu", disse o líder do PR.

Clima

As declarações de Garotinho colocaram novamente Gilberto Carvalho à frente da operação para responder à crise que cerca Palocci. Ontem, o ministro acusou abertamente a prefeitura paulistana de quebrar o sigilo fiscal da Projeto, empresa de propriedade do chefe da Casa Civil. Como revelou o iG , o PT protocolou ontem um requerimento pedindo explicações da administração municipal sobre o suposto vazamento. A Secretaria de Finanças reagiu e disse que todos os acessos ao cadastro da companhia para a cobrança do Imposto Sobre Serviços (ISS) ocorreram a pedido do próprio contribuinte.

Hoje, tucanos voltaram a repercutir as acusações. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse considerar difícil que prefeitura tenha vazado dados da empresa de Palocci. O tucano, no entanto, ressaltou que cabe aos órgãos da prefeitura se pronunciarem sobre o assunto.

Já o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), classificou de "mentira infame" a acusação sobre a suposta quebra de sigilo. Além de negar qualquer participação do PSDB, ele disse acreditar que a responsabilidade pelo vazamento desses dados é da própria base aliada do governo Dilma Rousseff. "Não há dúvida de que isso se trata de fogo amigo", alfinetou.

Veja os vídeos que abriram a polêmica do kit anti-homofobia do governo federal 


*Com informações da Agência Estado e da Agência Brasil

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