'Kassabistas' do PT buscam saída para fracasso iminente

Petistas que até anteontem afirmavam ser fundamental a aliança com o PSD agora dizem que Haddad já está no segundo turno

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

AE
Kassab na festa dos petistas
Diante da possibilidade de aproximação com o PSD do prefeito Gilberto Kassab se transformar em um vexame, dirigentes do PT que defendiam uma aliança para disputar a Prefeitura de São Paulo agora buscam argumentos para justificar o fracasso iminente.

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Nesta quarta-feira, Kassab confirmou em Brasília que deve ficar ao lado do ex-governador José Serra (PSDB) caso o tucano dê sinais de que está disposto a entrar na disputa. Embora Kassab tenha dito aos petistas que até agora não recebeu um aceno concreto de Serra, seus principais interlocutores no PT jogaram a toalha e ensaiam o discurso para o fracasso.

Em conversas reservadas, os kassabistas do PT dizem que não podiam dar as costas para um partido que tem 47 deputados votando a favor da presidenta Dilma Rousseff na Câmara e ainda pode ser aliado em 14 das maiores cidades do País.

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Políticos que até anteontem diziam ser fundamental a aliança com o PSD para a vitória de Fernando Haddad, agora apontam uma suposta fragilidade de Serra como trunfo eleitoral.

“O cenário é muito positivo. Haddad vai para o segundo turno com o Serra que tem uma rejeição altíssima (35%, segundo o Datafolha) e ganha com a ajuda do Lula e da Dilma”, resumiu um dos maiores entusiastas da aliança com Kassab.

Integrante do diretório nacional e defensor da ampliação do leque de alianças em São Paulo, inclusive para o PSD, o dirigente Francisco Rocha, o Rochinha, negou que o PT tenha feito papel de bobo na história .

“Pode escrever aí. O PT tem força, lideranças, projeto e votos para colocar o Fernando Haddad no segundo turno. Se alguém pensa o contrário está totalmente enganado”, disse ele.

O deputado estadual Simão Pedro, integrante do comando da campanha de Haddad, negou que as negociações com Kassab tenham causado prejuízos ao pré-candidato. “O PT saiu na frente na escolha do candidato, na pré-campanha, no diálogo com a sociedade civil. Todos sabíamos, desde o começo, que o Kassab seria um assunto difícil no PT”, afirmou ele.

Mais otimista, outro dirigente vê na candidatura de Serra um fator positivo para atrair outros partidos arredios a alianças como PSB. “O PSB é aliado do Geraldo Alckmin, não do Serra. Se o PSB apoiar o Serra estará rompendo com Lula e com Dilma”.

Depois de humilhar duas vezes consecutivas a senadora e ex-prefeita Marta Suplicy (preterida na escolha o candidato e obrigada a engolir Kassab), o PT escalou o presidente do diretório municipal e coordenador da campanha, Antonio Donato, para tentar acalmá-la.

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“Sempre disse que nenhum candidato pode abrir mão dos votos da Marta em São Paulo. Ela é um símbolo do PT”, disse Rochinha.

Contrária à aproximação com Kassab desde o primeiro momento, a vereadora Juliana Cardoso, resumiu a insatisfação de muitos. Sem citar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, patrono da manobra, ela atribuiu a petistas de fora da capital paulista a culpa pelo iminente fracasso.

“Fizemos oposição a Serra e Kassab durante oito anos. Algumas pessoas que não participaram tão efetivamente deste processo se precipitaram. O PT foi com muita sede ao pote”, afirmou.

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