"Kassab quer o comando o DEM para entregar ao PMDB", acusa Caiado

Prefeito de São Paulo tenta promover uma eleição para tirar Maia da presidência do DEM, cujo mandato vai até dezembro de 2011

Adriano Ceolin, iG Brasília, e Nara Alves, iG São Paulo |

Os deputados Rodrigo Maia (RJ) ACM Neto (BA) e Ronaldo Caiado (GO) - todos do DEM - avaliaram que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), não desistiu da tese de fundir o partido com o PMDB. No entanto, o único a tratar do assunto publicamente é Caiado. Os três almoçaram juntos na capital paulista nesta sexta-feira.

Em entrevista ao iG após encontro, Caiado desqualificou o discurso de Kassab de que “é preciso haver uma mudança no partido para fortalecê-lo”. O prefeito tenta promover uma eleição para tirar Maia da presidência do DEM, cujo mandato vai até dezembro de 2011. Ou seja, três meses após o prazo final de filiação partidária para as eleições municipais em outubro de 2012.

“Ninguém acredita nessa mudança de estratégia do Kassab. Na verdade, agora eles viram que a tese de fusão é indefensável. Eles têm o maior constrangimento, por isso que tratam da fusão no subterrâneo”, disse Caiado. “Agora mudaram o foco. Kassab quer primeiro o comando do DEM para amanhã entregar o partido para o PMDB”, completou.

Para o deputado goiano, Kassab tem o apoio do ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen. O iG apurou que a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) também cogita a possibilidade de fusão. Por isso Caiado sempre cita “eles” em vez de apenas “ele”, Kassab.

Nesta quinta-feira, os três se reuniram com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), o vice-governador eleito de São Paulo Afif Domingos (DEM) e o deputado Indio da Costa (DEM-RJ). Em entrevista mais cedo, Demóstenes disse ser contra a fusão, mas defendeu a troca de comando no DEM.

Caiado evita citar outros nomes que defendem a tese de fusão. “Que eu sei é o Kassab, mas ele sustenta uma equipe grande”, disse, rindo. “Eu não vou nominar quem são os soldados. Eu falo o nome do general, que é o Kassab”, completou.

Para o deputado goiano, não podem responsabilizar Rodrigo Maia pelo mal desempenho do DEM nas urnas e a derrota nacional com a candidatura José Serra (PSDB). “Quem desenhou a estratégia de apoio foram eles, que quiseram pagar a fatura”, disse.

Caiado refere-se ao fato de Serra ter apoiado a reeleição de Kassab na prefeitura contra a candidatura de Geraldo Alckmin, que havia começado a corrida eleitoral em 2008 como favorito e acabou fora do segundo turno formado com Marta Suplicy (PT).

“Depois da eleição da prefeitura, nós ficamos engessados e presos ao acordo com o PSDB. Quem foi que fez foram Jorge Bornhausen e Kassab”, disse Caiado. “Por que agora o Rodrigo Maia tem de ser responsabilizado por tudo?”

ACM Neto e Maia

Pelo menos oficialmente, Rodrigo Maia e ACM Neto são mais comedidos quando se referem aos planos de Kassab. O atual presidente do DEM disse não temer disputar o comando do partido de novo.

“É importante fortalecer o partido”, disse. "Se o Kassab quiser, poderá disputar com o nosso candidato, que ainda não definimos quem será. Meu mandato vai até dezembro de 2011”, completou.

Maia, no entanto, afirma que há um grupo no DEM que quer entregar o partido para o governo “para benefício próprio”. Segundo ele, falar em fusão com o PMDB é uma traição aos eleitores. “O DEM tem um perfil definido, é um partido de centro-direita conservador”. Segundo ele, muito diferente do PMDB, que "está toda hora no governo'.

Deputado reeleito para o seu terceiro mandato, ACM Neto também rechaçou a possibilidade de fusão. "Isso seria terceirizar o meu mandato. Fui eleito pelo DEM para fazer oposição ao governo. Se aceitar a fusão, estarei entregando o meu mandato para o PMDB e para o governo", afirmou.

O iG tentou contato com o prefeito Gilberto Kassab, mas até o fechamento desta reportagem ele ainda não havia dado retorno.

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