Kassab elogia Dilma e diz que foi 'grande apoiador de Lula'

Sobre PSD, prefeito paulistano afirma que será identificado com 'centro', embora considere o conceito ultrapassado

Nara Alves, iG São Paulo |

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, elogiou na tarde desta segunda-feira o governo Dilma Rousseff , que completa 100 dias na próxima semana. “A avaliação é positiva. De zero a 10, eu daria uma nota acima de cinco”, afirmou. Ele também ressaltou que foi um “grande parceiro” do governo de Luiz Inácio Lula da Silva . “Ao longo dos oito anos do mandato de Lula, poucas pessoas deram apoio ao presidente como eu. Fui um dos grandes parceiros do presidente Lula”, disse, durante gravação do programa Roda Viva, da TV Cultura.

Referindo-se a Dilma sempre como presidenta “porque é assim que ela gosta”, Kassab elogiou a “rapidez com que ela mostrou sua liderança interna dentro do governo, política e administrativa”. Para o prefeito, “todos” achavam que seria uma continuidade do governo Lula. “É um novo governo, com uma nova presidenta. O Brasil está confiando em seu governo”, disse.

Kassab defendeu, ainda, que embora considere o governo Dilma positivo, não será da base de apoio da Dilma. Segundo ele, o partido que irá criar, o PSD (Partido Social Democrático), será um partido identificado politicamente com siglas de centro. “Pelo perfil dos que fizeram a adesão até o momento, se você olhar os conceitos do passado, o partido será muito identificado com centro, conciliador”, afirmou. Ele pontuou, no entanto, que considera os conceitos de direita, esquerda e centro ultrapassados.

AE
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, concede entrevista ao programa Roda Viva, na TV Cultura
José Serra

Apadrinhado politicamente por José Serra (PSDB), Kassab voltou a dizer que apoiará o ex-governador de São Paulo se ele for candidato a prefeito, governador ou presidente. “Não há quem não reconheça que eu fui um dos grandes apoiadores de José Serra”, disse.

Kassab, porém, disse não acreditar que Serra será candidato em 2012. “Não é esse o projeto do Serra. O projeto dele é o PSDB. Tenho uma relação pessoal e política com ele, a melhor possível. Ele ponderou para que eu ficasse no DEM. Nós discordamos nessa questão”, afirmou.

Negando que dar apoio à Dilma e a Serra ao mesmo tempo seja incoerente, Kassab afirmou ainda que a identidade do futuro PSD será definida de acordo com seus filiados. “( O PSD será ) um partido que terá como denominador comum a identidade programática e não vai poder impor, num primeiro momento, posições muito rigorosas”, disse. Ou seja, os parlamentares que aderiram ao projeto kassabista na Bahia continuarão apoiando Dilma. Já os filiados paulistas, como o vice-governador Guilherme Afif Domingos, continuarão apoiando o governo tucano.

Jair Bolsonaro

Sobre a polêmica envolvendo o deputado Jair Bolsonaro , que recentemente deu declarações consideradas preconceituosas, Kassab afirmou que não há possibilidade de o parlamentar ser convidado para integrar o novo partido. “Não me identifico com o Bolsonaro. Ele foi inadequado e infeliz e politicamente ele irá pagar pelas suas manifestações”, afirmou. Kassab, no entanto, defendeu o direito de Bolsonaro à imunidade parlamentar. “Todos sabemos o que ele pensa. Cabe ao eleitor ratificar ou não nas urnas”, disse.

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