Prefeito afirma que ambos negam candidatura pelo PSDB, mas diz ser 'amigo disposto a ajudá-los' caso mudem discurso

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O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, defendeu na manhã de hoje o nome do senador Aloysio Nunes Ferreira como candidato do PSDB à disputa, em 2012, pela Prefeitura de São Paulo. O prefeito elogiou a "experiência" e o "talento" do tucano, mas deixou claro que, no atual momento, não trabalha com essa alternativa. O também presidente nacional do PSD, sigla que pretende fundar, lembrou que o senador tem negado publicamente, assim como o ex-governador José Serra , a pretensão de entrar na corrida eleitoral.

Ao comentar possível apoio em 2012, Kassab disse ter 'muito respeito pelos dois tucanos
AE
Ao comentar possível apoio em 2012, Kassab disse ter 'muito respeito pelos dois tucanos

"Ambos têm dito que não serão ( candidatos ). Como eu tenho respeito muito grande pelos dois, eu prefiro não trabalhar com essa hipótese", afirmou. "Mas, caso revejam as suas posições, terão aqui um paulistano pronto para ajudá-los", acrescentou, após participar do Seminário RespirAR, na capital paulista.

O prefeito tem declarado, nas últimas semanas, que a nova sigla lançará um nome próprio para a disputa municipal. O mais cotado para o posto é o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que também trocou o DEM pelo PSD. O apoio do novo partido ao PSDB, segundo aliados do prefeito, estaria condicionado aos nomes dos dois tucanos, o que tem levado o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, a buscar uma solução para evitar uma fragmentação do cenário eleitoral na capital paulista.

Nesta semana, em reunião com Aloysio Nunes, no Palácio dos Bandeirantes, o governador teria sinalizado que, caso o tucano aceite ocupar o posto de candidato, o PSDB abriria mão de uma consulta primária para a escolha do nome da sigla. O senador, que também já foi consultado pelo ex-governador José Serra sobre o assunto, tem negado a aliados a possibilidade de trocar o Senado Federal pela Prefeitura de São Paulo.

No evento de hoje, o prefeito garantiu que o senador terá seu apoio caso postule a candidatura em 2012 e voltou a elogiar o ex-governador José Serra. "Todos sabem da minha opinião sobre o ex-governador e querido amigo José Serra e também em relação ao senador Aloysio Nunes", afirmou. "E todos sabem que, caso um dos dois postule a candidatura a prefeito, terá o meu apoio", acrescentou.

Ele ressaltou ainda que, o que estiver ao seu alcance dentro do PSD, fará junto aos seus companheiros de partido no sentido de sensibilizá-los para a importância de um possível apoio aos dois eventuais candidatos. O prefeito disse ainda que, quando deixar a Prefeitura de São Paulo, pretende seguir na vida pública e poderá se dedicar a causas sociais. "Eu vou continuar na vida pública, mas posso cuidar de creches, posso cuidar de organizações sociais", afirmou.

Reajuste

Kassab disse ainda que dará, nos próximos dias, dentro do prazo estipulado pela Justiça, esclarecimentos sobre a legalidade do ato que lhe concedeu, no início do ano, reajuste salarial. A juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, requereu ao prefeito que se manifeste sobre o reajuste de seu salário, em fevereiro, de R$ 12,3 mil para R$ 20 mil.

"O Poder Judiciário é parceiro da Prefeitura de São Paulo e temos, evidentemente, todo interesse em dar todas as respostas em relação às perguntas que foram formuladas", disse o prefeito após participar do Seminário RespirAR, na capital paulista. "E será feito nos próximos dias ou assim como a legislação exigir", garantiu Kassab.

A decisão da Vara da Fazenda Pública em pedir esclarecimentos ao prefeito diz respeito à ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público Estadual de São Paulo, que pediu a suspensão do pagamento do reajuste salarial de Kassab. Na ação, o promotor do Patrimônio Público e Social Marcelo Duarte Daneluzzi contesta os meios usados para determinar o aumento, baseado em um decreto legislativo de 1992 que fixava o salário do prefeito em 75% da remuneração dos deputados estaduais de São Paulo.

"Nós estamos tranquilos em relação a essa lei, que existe desde 1992, que procura balizar o salário de prefeitos e secretários", disse Kassab.  

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