Kassab defende fidelidade partidária, mas com flexibilidade

Prefeito de SP citou o termo 'camisa de força' quando se referiu aos atuais moldes de fidelidade partidária

AE |

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O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que recentemente anunciou sua saída do DEM para a refundação do Partido Social Democrático (PSD) , disse hoje que é favorável à manutenção da fidelidade partidária numa futura reforma política, desde que o filiado tenha uma janela para mudança de sigla no final de seu mandato. "Eu defendo a fidelidade partidária, porém não pode haver camisa de força para aqueles que não se sintam confortáveis em seus partidos", ressaltou Kassab, após café da manhã promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), na capital paulista.

O termo "camisa de força" foi usado por Kassab pela primeira vez no dia 24 de março, durante almoço na Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil, para explicar sua dificuldade em continuar num partido de oposição ao governo Dilma Rousseff . O prefeito, que hoje se beneficia de uma brecha na legislação eleitoral para sair do DEM criando uma nova sigla, disse que os filiados precisam de uma janela. "Devem haver alternativas, como na legislação de hoje existe corretamente essa alternativa de se criar um partido novo", exemplificou. Kassab apoia a proposta de uma janela de seis meses para mudanças de partido. "Acho que pode ser uma boa alternativa no final do mandato. O parlamentar cumpre o mandato no seu partido. Acho que faz sentido".

De acordo com o prefeito, a recriação do PSD surge num momento de reformulação política e que a sigla será importante para reforçar a democracia no País. "Na verdade a criação do PSD está no contexto da reforma política, é um novo partido vindo num novo contexto", enfatizou. Líder da nova legenda, Kassab comemorou a vinda da senadora Kátia Abreu (TO), de saída do DEM. "Isso me deixa muito entusiasmado. Ela é uma grande líder nacional e fortalece esse novo partido".

Legenda

Segundo Kassab, sua preocupação não é oficializar juridicamente a legenda em curto prazo, mas consolidar as bases políticas regionais. "Esse partido já está politicamente construído" disse o prefeito, ao citar suas bases em São Paulo, Bahia, Tocantins, Goiás, Amazonas, Acre, Rio Grande do Norte, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre as lideranças regionais da nova sigla, Kassab citou o governador do Amazonas, Omar Aziz (hoje no PMN), o senador Sérgio Petecão (PMN-AC) e o vice-governador da Bahia, Otto Alencar (de saída do PP).

Com as novas adesões, Kassab diz que a fusão com outros partidos, como o PSB e o PMDB, não é mais cogitada. "Esse partido acabou se consolidando e hoje essa questão da fusão está descartada", justificou.

Pressão do DEM

O prefeito evitou comentar a decisão do DEM de cobrar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, hoje ocupada pelo vice-governador Guilherme Afif Domingos, que deixou a legenda junto com Kassab. Ontem, o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia (RN), se reuniu com o governador Geraldo Alckmin para discutir a nova composição do governo após a debandada de Afif e seus aliados. "A conversa é muito legítima. Fico muito feliz com a continuidade dessa parceria (DEM-PSDB)", desconversou.

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