Justiça mantém US$ 13 milhões de Maluf bloqueados no exterior

Deputado mantém versão de que não possui contas no exterior

iG São Paulo |

A Justiça suíça decidiu manter sob confisco mais de US$ 13 milhões em nome da família do ex-prefeito de São Paulo e atual deputado federal Paulo Maluf (PP-SP) em contas nos bancos do país. Somado ao dinheiro ainda bloqueado na Europa, a família Maluf teria ao menos US$ 48 milhões bloqueados em Jersey, França e Luxemburgo.

A manutenção do congelamento foi tomada no fim de 2010. Dez anos depois de informar o Brasil sobre movimentações suspeitas de Maluf, o governo suíço havia enviado questionário à Justiça brasileira para saber se ainda queria manter o dinheiro congelado. Até hoje a Justiça brasileira não conseguiu condenar em última instância o ex-prefeito. Segundo o Ministério Público suíço, a devolução do dinheiro só pode ocorrer se houver condenação definitiva de Maluf no Brasil.

Eduardo Lopes
O deputado Paulo Maluf
Apesar das investigações que correm contra ele, Maluf mantém a versão de que não possui dinheiro no exterior. “Paulo Maluf não tem e nunca teve conta no exterior. Desde 2001, surgem informações falsas a respeito deste assunto”, argumentou a assessoria do ex-prefeito.

O dinheiro bloqueado na Suíça, divulgado ontem pelo portal do jornal se refere ao montante que o ex-prefeito supostamente não conseguiu transferir para as ilhas Jersey, segundo as investigações. Denúncia encaminhada à Justiça pelo Ministério Público Federal de São Paulo, em 2006, acusa o deputado federal e outras dez pessoas de montarem um esquema de formação de quadrilha internacional com o objetivo de lavar dinheiro oriundo de corrupção.

Segundo a denúncia, parte do dinheiro de corrupção proveniente das obras da avenida Águas Espraiadas, na zona sul de São Paulo, realizada na última gestão de Maluf na prefeitura (1993-1996), foi para a conta Chanani, em Nova Iorque, e, de lá, para quatro contas no paraíso fiscal de Jersey, no Reino Unido, de onde migraram para sete fundos de investimento na mesma ilha.

O dinheiro, segundo a denúncia, foi aplicado na Eucatex, empresa da família do ex-prefeito. Em 2005, Maluf e o filho Flavio ficaram presos durante 40 dias sob a suspeita de tentarem coagir um réu em um processo contra a família.

A denúncia de 2006 era resultado de cooperação jurídica internacional estabelecida diretamente entre o Ministério Público Federal em São Paulo e autoridades da Suíça, Inglaterra e Jersey (uma ilha localizada no canal da Mancha, entre a Grã-Bretanha e a França, que possui autonomia financeira e jurídica, mas que pertence ao Reino Unido).

Desde 2002, o MPF e o Ministério Público Estadual (responsável pelas ações cíveis relativas ao caso) tentavam obter documentos nesses países, que chegaram ao Brasil em meados desse ano. O dinheiro bloqueado na Suíça, segundo a reportagem, só seria liberado para eventual ressarcimento dos cofres públicos, caso Maluf fosse condenado em última instância no País.

*Com  informações da Agência Estado

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