José Pimentel não aceita rodízio por liderança no Congresso

Ao iG, senador petista diz que não tratou do assunto com PMDB. Sigla afirma que substituição em 2012 foi acertada com Temer

Fred Raposo, iG Brasília |

Novo líder do governo no Congresso , o senador José Pimentel (PT-CE) disse que não houve acerto para rodízio no cargo, o que implicaria na retomada do posto pelo PMDB no ano que vem, conforme defende a cúpula da sigla aliada. “A (escolha da) liderança do governo no Congresso, como a liderança do governo na Câmara e no Senado, é uma competência exclusiva da presidenta Dilma Rousseff. Não foi tratado nada disso”, disse Pimentel ao iG .

Em entrevista coletiva na última segunda-feira, Pimentel disse que sua indicação ocorreu “sem trauma” com o PMDB. Mas o partido, que defendia o nome do deputado Marcelo Castro (PMDB-PI) para o cargo, disse que Dilma teria acertado com o vice-presidente da República, Michel Temer, a substituição de Pimentel por um peemedebista em 2012.

“A Dilma pediu ao Michel compreensão pela escolha (de Pimentel) e o Michel disse que ajudaria”, disse ao iG o líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), que garantiu que haverá alternância no posto em 2012. “Vamos fazer um rodízio no ano que vem. E a bancada do PMDB é quem vai indicar o líder governista no Congresso”.

O petista foi oficializado anteontem no cargo por Dilma, em reunião no Palácio do Planalto. O governo justifica a nomeação de Pimentel alegando que ele era 1º vice-líder no Congresso quando a liderança era ocupada pelo deputado Mendes Ribeiro (PMDB-RS) - que acabou indo para o comando do Ministério da Agricultura após denúncias de corrupção derrubarem o ex-ministro Wagner Rossi.

A garantia da sucessão de Pimentel teria ajudado a apaziguar a insatisfação da bancada peemedebista. Alves, no entanto, critica a forma como se deu a escolha do petista. “Criou-se um fato político. Ele é o líder de fato, não de direito”, afirmou o cacique do PMDB.

Nos bastidores, avalia-se que há duas saídas para que Pimentel deixe a liderança do governo no Congresso sem que provoque novos atritos junto ao principal aliado da base: o petista pode se afastar do mandato para concorrer à prefeitura de Fortaleza (CE) ou assumir a 1ª vice-presidência do Senado, no lugar da senadora Marta Suplicy (PT-SP), conforme havia sido acordado no início da legislatura atual.

Articulação política

Ao iG , Pimentel destacou que, no novo posto, terá papel de articulador político, similar ao desempenhado pela ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais). “Vou trabalhar muito ao lado dos nossos dois líderes do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP) na Câmara e o Romero Jucá no Senado, fazendo essa grande articulação em torno dos projetos de interesse do Brasil”.

“Aprendi, ao longo da vida, de que quando você trabalha em equipe, todos crescem e a sobrecarga não fica sobre ninguém”, assinalou. O parlamentar disse que tem como objetivo, para este ano, articular junto os 594 congressistas a aprovação do Plano Plurianual da União (PPA) 2012-2015 – que estabelece as metas para a administração federal para os próximos quatro anos – e o Orçamento da União do ano que vem.

“É onde estão as grandes metas e objetivos para que o Brasil possa resolver a questão da miséria e da pobreza e se tornar a quinta potência econômica do planeta”, afirmou. “Ao mesmo tempo, queremos ajudar na aprovação do orçamento de 2012 para que possamos iniciar o ano que vem dando andamento às obras públicas e aos interesses da sociedade”.

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