José Dirceu afirma aguardar 'com serenidade' julgamento do STF

Em blog, ex-ministro acusado de "chefiar quadrilha" do mensalão diz que parecer de procurador-geral traz "interpretação peculiar"

Fred Raposo, iG Brasília |

Um dia após ter sua condenação pedida pelo Ministério Público por envolvimento no mensalão, o ex-ministro José Dirceu disse estar “tranquilo” em relação ao parecer do procurador-geral, Roberto Gurgel, que o aponta como “chefe da quadrilha”.

Em artigo publicado hoje em seu blog, Dirceu reafirmou ser inocente no caso do mensalão e acrescentou que acusações "não trazem qualquer prova material ou testemunhal”.

"São meras ilações extraídas de sua interpretação peculiar sobre minha biografia", escreveu. “Vou aguardar o julgamento com serenidade, pois sei que, ao final desse doloroso processo, se imporá a justiça e cairá por terra a farsa montada contra mim”.

Encaminhado ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF), o parecer do procurador-geral sobre o caso acusa Dirceu de formação de quadrilha e corrupção ativa e pede sua prisão por até 111 anos. Além do ex-ministro, Gurgel também defende a condenação de outros 35 réus do mensalão.

Principal escândalo do governo Lula, o mensalão foi revelado em 2005, e consistia no pagamento de mesada no Congresso, em troca de apoio a projetos de interesse do governo federal. Na época, o escândalo derrubou a cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT), incluindo Dirceu, que ocupava a chefia da Casa Civil e era o homem mais forte do governo depois de Lula. Ao retomar a Câmara, o ex-ministro teve seu mandato de deputado federal cassado.

Petista se defende repetindo DIrceu

Para o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), também acusado de integrar o esquema do mensalão, o parecer de Gurgel não traz "nenhuma novidade jurídica ou política". Em nota postada hoje em seu site, o petista repetiu Dirceu ao dizer que falta "prova material ou testemunhal", ao alegar que o processo trata de uma "farsa" e ao dizer que responderá julgamento com "serenidade".

"Sua peça segue a orientação definida pelo antigo procurador, quando da denúncia do caso em 2006", escreveu Cunha, que ocupou a presidência da Câmara entre 2003 e 2005. "A base da acusação caiu por terra quando o Tribunal de Contas da União emitiu parecer definitivo aprovando as contas de meu mandato na presidência da Câmara dos Deputados, bem como a lisura da licitação e execução do contrato de divulgação e publicidade dos atos da Casa".

No parecer, o Ministério público acusa o parlamentar por lavagem de dinheiro (três a 10 anos e multa), corrupção passiva (dois a 12 anos e multa) e peculato (dois a 12 anos e multa).

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