Jobim reconhece a resistência para apuração de crimes da ditadura

Ministro da Defesa relembra divergência com Paulo Vannuchi e diz que o País precisa saber da verdade, mas sem ter caráter punitivo

Agência Brasil |

O ministro da Defesa, Nelson Jobim falou em entrevista a emissoras de rádios, em Brasília (DF), sobre a Comissão da Verdade e admitiu que “setores minoritários” das Forças Armadas ainda resistem às iniciativas para esclarecer as mortes e os desaparecimentos políticos ocorridos durante o regime militar (1964-1985).

Na entrevista, Jobim admitiu que “setores minoritários” das Forças Armadas ainda resistem às iniciativas para esclarecer as mortes e os desaparecimentos políticos ocorridos durante o regime militar (1964-1985). Segundo o ministro, os militares que se opõem a projetos como a criação da Comissão da Verdade estão na reserva e integram o mesmo grupo que discorda das recentes mudanças no âmbito da Defesa, mas são em número menor do que aqueles favoráveis à apuração dos fatos.

“Não há nenhuma dificuldade em relação às Forças Armadas [quanto à apuração dos crimes contra os direitos humanos]. Eventuais bolsões de resistência sobre a memória podem se encontrar em alguns setores muito minoritários. Alguns militares mais tradicionalistas da reserva não veem com bons olhos as mudanças que fizemos no Ministério da Defesa, como a subordinação das Forças Armadas ao poder civil democrático”, disse Jobim logo após participar do programa de rádio Bom Dia, Ministro, produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a EBC Serviços .

Jobim lembrou que a proposta de criação da comissão precisa ser aprovada no Congresso. “Esse projeto teve o absoluto apoio do ministério e meu. Houve uma divergência inicial com o então secretário de Direitos Humanos [Paulo Vannuchi] sobre a natureza do projeto, que era unilateral, prevendo a análise da memória histórica somente por um lado enquanto nós queríamos que a análise fosse completa. Não há nenhuma divergência com a atual secretária Maria do Rosário”, disse, durante a entrevista a emissoras de rádio.

Jobim voltou a afirmar que o País necessita conhecer a verdade histórica dos fatos, mas que isso não deve ter caráter punitivo. “O conhecimento da verdade tem todo o apoio do ministro e de toda a estrutura do Ministério da Defesa, mas, considerando a decisão do Supremo Tribunal Federal [STF] em relação à Lei da Anistia, o que não podemos ter é a pretensão da retaliação ao passado, ou seja, tentar instaurar processos criminais que possam atingir os eventuais envolvidos, quer [sejam] os que estavam ao lado do Exército, quer os que estavam do lado dos grupos subversivos que se rebelavam contra a ditadura militar”, disse. “O importante é que esse conhecimento sirva para construção do futuro e não meramente para retaliar o passado”, reforçou.

Perguntado sobre as declarações do novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general do Exército José Elito Siqueira, Jobim disse que o assunto está “absolutamente superado”. Elito foi chefe do Estado-Maior do Ministério da Defesa antes de assumir o GSI, na última segunda-feira (3). Na transmissão de cargo, ao falar sobre a possibilidade de se criar a Comissão da Verdade, ele afirmou que o Brasil não deve ficar olhando para trás nem se envergonhar ou se vangloriar pelos seus desaparecidos políticos.

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