Jobim critica cortes e diz que Defesa está no 'piso tecnológico'

Contenção no orçamento da pasta dificultou, entre outras medidas, avanços na negociação para a compra de caças da FAB

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu nesta terça-feira (12), no Rio de Janeiro, a aprovação de um projeto de lei para a criação de um plano plurianual para gastos do setor e criticou os cortes no orçamento da pasta, que totalizaram R$ 4,3 bilhões este ano. O governo Dilma Rousseff cortou os gastos de Defesa e suspendeu o programa de compra de novos caças para a Força Aérea.

AE
Ministro Nelson Jobim, durante a feira de defesa no Rio
A uma plateia de militares e profissionais de Defesa, na feira latino-americana do setor – a LAAD (Latin American Aero & Defence), no Riocentro, na zona oeste carioca –, Jobim fez um discurso duro, pregando investimentos nacionais pesados na área, a fim de reduzir a distância tecnológica e de equipamento entre o Brasil e países desenvolvidos. É notória no Palácio do Planalto a contrariedade do ministro com os cortes em sua pasta.

De acordo com Jobim, a fraqueza militar põe em risco a soberania do País. Ele se referiu ao estágio do Brasil e da América do Sul como “piso tecnológico”. “Devemos admitir que desatar o nó orçamentário é condição necessária, mas não suficiente, para mudança de paradigma. Sem orçamentos minimamente plurianuais e estáveis, condição primordial para o planejamento, não lograremos alcançar os avanços tecnológicos precisos. Para dar um salto tecnológico de transformação de nossas Forças precisamos instituir uma lei de programação plurianual capaz de garantir um mínimo de recursos”, afirmou.

“Não se pode estabelecer determinado tipo de programa com investimento do setor privado se não tem uma garantia. Não se pode ter cortes em determinados programas. O que queremos ter é uma legislação com plano plurianual de investimentos de Defesa, na área tecnológica, que possa assegurar a destinação e os investimentos do setor privado. Senão você joga uma empresa a investir em determinado setor que depois desaparece”, explicou.

“É forçoso admitir a redução de nossos meios operativos e a isso se acrescenta a insuficiência quantitativa de meios. Dessa forma, será necessário romper o círculo vicioso do atraso. Se nossos sistemas servirem apenas para fazer o que se faz hoje – precariamente, é verdade – então nossos esforços pouco terão alcançado. É preciso fazer muito mais, de maneira que uma real transformação se processe”, afirmou.

O projeto de lei para garantir recursos de Defesa deve ser apresentado ainda este ano ao Congresso Nacional. Ao fim do discurso, no entanto, Jobim minimizou o efeito dos vultosos cortes, de R$ 4,3 bilhão. “Estamos discutindo com as Forças esses cortes, que são em áreas de menos importância no projeto global do desenvolvimento do Brasil.”

    Leia tudo sobre: nelson jobimcortesDefesaForças Armadas

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG